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MAÇONARIA : O MAÇOM, A FAMÍLIA E A SOCIEDADE Imprimir E-mail
Seg, 28 de Março de 2011 09:30

MAÇONARIA : O MAÇOM, A FAMÍLIA E A SOCIEDADE

Helio P. Leite

28.03.2011

 

Uma visão pessoal, despretensiosa da maçonaria nos dias de hoje com relação ao meio social, frente sua determinação como ideário de comportamento estruturado na moral e na ética.

O Maçom, a família e a sociedade

Pedro Moacyr Mendes de Campos

Florianópolis, SC

 

Como houvera afirmado em meu primeiro trabalho, quando Aprendiz em 1977 que

"Ao Aprendiz Maçom, foi deflagrada não uma batalha, mas uma nova forma de comportamento, através da virtude de que nada mais é, o galgar passos cultivando a arte, que o levará de um caos inicial, ao conhecimento profundo do significado de sua existência, ao amor, à paz e ao estágio de um homem de bem, combatendo a ignorância, a tirania, os preconceitos e os erros."

"Ao Aprendiz Maçom, foi deflagrada não uma batalha, mas uma nova forma de comportamento, através da virtude de que nada mais é, o galgar passos cultivando a arte, que o levará de um caos inicial, ao conhecimento profundo do significado de sua existência, ao amor, à paz e ao estágio de um homem de bem, combatendo a ignorância, a tirania, os preconceitos e os erros."

“...quanto mais coloca o homem em Deus, menos coloca em si próprio. A miséria religiosa é, de um lado, a expressão da miséria real, e, de outro, protesto contra a miséria real. A religião é o suspiro da criatura acabrunhada pela felicidade, a alma de um mundo sem coração, assim como é o espírito de um época sem espírito. É o ópio do povo. A verdadeira felicidade do povo exige que a religião seja suprimida enquanto felicidade ilusória do povo.”

E essa felicidade realmente é ilusória quando observamos a miscigenação e domínio de crenças; a diversidade de ritos, símbolos, alegorias indecifráveis; quando observando nosso complexo de inferioridade, nesse louco processo de globalização; quando observamos sermos vítimas, conscientes, de um neoliberalismo, que busca alucinadamente o poder absoluto através da força de uma elite que despreza as necessidades básicas da sociedade, o trabalho e a instrução

“ porque (o homem) sem o pão e o livro, sem a riqueza e sem o ensino, não pode ter saúde, nem alegria, nem dignidade, nem alma; quem tem fome, não pode pensar."  (Olavo Bilac)

Verificamos que o sucesso de um ideal, depende de um intrincado jogo, onde as regras são elaboradas de forma codificada o suficiente para não permitir que a sociedade ideal é aquela onde é possível explorara a capacidade de cada um em troca da satisfação de suas necessidades. E nessa cibernética do comportamento, a criptografia de todo esse simbolismo, tem que ser decifrada para que nosso autoconhecimento, nossa consciência objetiva, nos mostre que somos produto, não de uma atividade intelectual produzida, mas sim da verdadeira religião, isto é, observação de nós mesmos (re-ligare). Sem o autoconhecimento, não podemos desenvolver nosso eu em relação ao nosso próprio ser, muito menos ao nosso semelhante, isso é função exclusiva de nossa capacidade, principalmente de auto-observação. Faltam-nos, ainda, referenciais, paradigmas de comportamento moral e ético, sepultados em nome do descalabro social e cultural como muito bem observado por Pedro de Almeida Moura,

“...o mundo de hoje conta bem poucas personalidades que possam ser consideradas valores decisivos para os destinos da humanidade. Comandantes, chefes, salvadores há muitos; o que nos falta são espíritos capazes de pairar acima da confusão reinante, e capazes de, principalmente, de colocar o exemplo de suas próprias vidas como garantia máxima de que outros processos e outros métodos, em tudo diferentes dos que estão sendo usados por toda parte, possam ser adotados na solução de problemas internos e externos de diferentes povos.”

Ora, sabemos que apenas o homem desperto, é senhor de si mesmo, pois além dos conflitos que geram o medo, a intriga, a inveja, impedem nosso real despertar. Nossa auto defesa dispõe de recursos que nos proporcionam refúgios adequados e convenientes a cada momento. Um deles, quiçá dos mais terríveis e perigosos, é a vaidade, que muitas vezes surge na sublimação da auto-estima, porque,

“a menos que você conheça a verdade de seu ser, você nunca sentirá a imensa benção da vida. Você nunca será capaz de transbordar de contentamento apenas pelo simples fato de existir.”  (Osho)

Aliás, não obstante estarmos cientes de que procurar o sentido da vida, não é privilégio, não é obrigação, é o sentido da vida, é o despertar do verdadeiro amor, pois sabemos que

"um homem não chega a compreender coisa alguma, a menos que a ame." (Goethe)

É pertinente ao Maçom, juntamente com sua família, constatar que a maçonaria busca a felicidade humana porque, em sua essência, o amor, ela consubstancia sua existência. É fundamental a fé e assim, constatar que a busca de um ideal comum, constitui-se na atividade básica da instituição que sempre se manteve intacta, intocável por qualquer preceito, religioso ou não. E isso é evidente porque a Maçonaria não tem idade; sempre existiu porque pertence ao homem; está no homem; está emancipada da história e de conceitos teóricos ou dogmáticos. Não é pragmatismo, é a sustentação determinada a uma realidade. Portanto,

não nos preocupemos com a origem da maçonaria. Preocupemo-nos com o que ela é;

não nos preocupemos com sua história, preocupemo-nos que a maçonaria, hoje, não vive de seu passado, por mais glorioso que possa parecer, vive hoje para preservar o presente e construir o amanhã;

não nos preocupemos com as pessoas que a freqüentam, preocupemo-nos que nós estamos na maçonaria;

não nos preocupemos com os maçons, preocupemo-nos ser maçons;

não nos preocupemos com sua existência, preocupemo-nos com sua essência.

Preocupemo-nos que a Maçonaria é um caminho ao paraíso, pois

“o paraíso não é algo a ser alcançado. É algo a ser criado. Depende de nós." (Osho)

Mas para podermos criar este paraíso, preocupem-nos que, acima de tudo, é necessária a prática do amor ao próximo. Mas como fazê-lo? Se nesse momento, solicitar a cada uma das pessoas que nos cercam, o conceito de amor, certamente não conseguiria uma resposta consolidada. É comum ouvir dizer, “minha paciência tem limite!”, “alem disso eu não aturo!... não admito!, ...bateu, levou... etc. É comum, hoje, nos conformarmos com uma derrota, consciente de sermos mais fracos e, amanhã, nos revoltarmos com reações extremas, por uma simples contradição. Então pergunto, quem seria capaz de estabelecer um parâmetro, uma unidade de medida de amor ao próximo?

Primeiro, temos que sentir e saber o que é o amor. Então, podermos concluir e compreender, que amor ao próximo é o "princípio cardeal nas relações humanas, para que sejam respeitadas as convicções e a dignidade de cada um". E quando isso ocorre desperta, floresce, desabrocha o conceito de fraternidade.

“Sê o que és a sós contigo. Não caminhes, nem pertenças: sê!” (Shakespeare)

Fernando Pessoa nos dá a fórmula de fraternidade:

Cada homem é ele só; qualquer caminho que siga, tem que buscá-lo em si mesmo. Não pode pertencer a ordem nenhuma, nem a outrem de qualquer modo. A fórmula é esta: liberdade, igualdade, fraternidade. Mas não é como a entendem os místicos que a recebem sem a entenderem. Liberdade, quer dizer não se subordinar a nada, nem ao próprio ideal nem à própria personalidade, nem à lei de Thelema que nos dá a nossa liberdade como nossa limitação. Igualdade quer dizer que tendo cada um esta liberdade, cada um será igual a qualquer outro, desde que cada um seja o que é. Fraternidade é o que segue: ninguém se pode opor a outrem desde que seja o que é, porque ser o que é é ser irmão de quem também é o que é.”

Apesar de complexo raciocínio, a obstrução deste princípio, desencadeia o conflito; o conflito desencadeia o medo. O medo desencadeia o desentendimento; o desentendimento desencadeia o ódio, a inveja, a mentira, a guerra, a desagregação. Com a obstrução do princípio de fraternidade não temos condições sequer de conceituar a tolerância, então, que ideal, que esperança podemos transmitir senão ostracismo, silêncio, alienação, omissão?

A seqüência dos fatos é óbvia à falta de unidade, fator intrínseco ao estabelecimento da harmonia e da paz. E isso não existe quando não temos pessoas o suficientemente únicas para um trabalho com objetivos únicos. Na maçonaria, a adversidade dos ritos testemunha essa desagregação. Criam, inventam, modificam ritos sem a preocupação de uma inteiração, de uma afinidade, de uma correspondência histórica e cultural. Afinal, sem essa correspondência nos é impossível a correspondência entre cada indivíduo. Paradoxalmente, parece-nos impossível resistir ao recurso de fuga à prisão do comprometimento formal do matrimônio entre ser e razão. Cada loja é uma loja, cada rito é um rito. Não são partes interativas de um todo, é um todo formado por partes distintas. Não é um conjunto formado por elementos interativos de uma mesma equação. São elementos, variáveis diversas, cada qual dependente de constantes que satisfazem suas raízes, quando os que pensam serem os donos da verdade enganam-se a si próprios e se locupletam de sua própria ilusão e fantasia. Mas não se pode deixar de lado, pois estamos encalacrados em conceitos que doem e machucam, apesar de, pretensiosamente, serem verdades, como o conceito de Gourdjieff a respeito da natureza do homem que

ao primeiro presente que você lhe faz — ele se ajoelha;

ao segundo — beija-lhe a mão;

ao terceiro — ele se inclina;

ao quarto — contenta-se com um sinal de cabeça;

ao quinto — torna-se familiar;

ao sexto — ele o insulta;

e ao sétimo — ele o põe na justiça porque você não lhe deu o suficiente.

E assim, são Lojas que não se visitam porque se consideram rivais, até inimigas. São Lojas que se dividem por causa da vaidade, da inveja, da luxúria. São maçons que, considerando-se iluminados, inventam, modificam e criam ritos novos, provocando sistematicamente novos conceitos, novos tratamentos, novas teorias, novas formas de comportamento. São Irmãos que sequer se cumprimentam, mas se fantasiam de bem-aventuranças dogmáticas. São irmãos que negam à necessidade do conhecimento, negam-se a amar. São irmãos, lojas, que abandonam seus próprios irmãos porque eles pediram seu quit-placet, isto é, saiu porque quis, já não mais nos interessa; ele que reflita que quando um se desentende com outro, o problema está entre eles, mas quando um briga com todos, ele é o culpado!. É lamentável quando alguém se levanta para atirar a primeira pedra... é lamentável quando alguém se propõe a julgar, sem saber que ele será julgado com a mesma medida. Esses irmãos adoeceram e são essas e outras particularidades que afligem e deturpam o ideal maçônico a exemplo do próprio espírito discriminatório e racial da maçonaria, referindo-me ao malfadado landmarque nº 18 da compilação de Anderson aceita pela maioria dos maçons brasileiros.

E esse ideal é maculado pela vaidade porque o brilho de um progresso fácil aos mais diversos graus, favorece a capacidade de comparar. E comparando ele avalia o ter em detrimento do ser. Então não nos desfavorece a censura ao afirmar que maçonaria também é escola de vaidade. Queiramos ou não, sobre vaidade, torna-se uma homologia maçônica cheia de conseqüências para um estudo mais profundo, pois nos encalacramos numa cultura periférica da instituição, contagiosa. As relações entre vida social, vida maçônica, vida cotidiana, vida política são apresentadas em linguagem cujo conteúdo flui do inverossímil ao crível sentido da formação para aprender que o corpo da instituição depende do sentido e do campo da estética. O maçom não pode referir-se ao indivíduo como pessoa, mas sim, como entidade. A atualização das idéias nessas relações são apresentadas em linguagem acessível apenas aos que idealizam o poder. Talvez por essa razão, temos que mobilizar os saberes próprios, seja na filosófica, na cultura, na sociologia, na crítica, na história, na política para podermos aprender que o renascimento da dialética é tão necessário quanto necessário é o alimento para nosso corpo.

Uma das causas consiste que o maçom não gosta de ler, muito menos de estudar ou pesquisar. Mesmo assim demos graças, pois há exceções, várias exceções, exceções valiosas. Os mestres facilitam a vida dos aprendizes e dos companheiros, evitando assim o trabalho, afinal por que se preocupar com a seqüência: o aprendiz aprende, o companheiro pesquisa e o mestre ensina? É semelhante quando a família, feliz por estar reunida no mesmo carro, se dirige para um restaurante para comer comida caseira... afinal é o único dia da semana que estão unidos e não podem ter o trabalho de usufruir desse momento em sua própria casa. No meu tempo era a alegria quando todos reunidos em volta de minha mãe, batendo papo e ansiosamente esperando que ela colocasse aquela macarronada na mesa. E todos juntos, então, em família, comendo... comida caseira. Se não for assim, justificável critica à maçonaria cujo autor desconheço, apesar de não saber com que propriedade poderia contestar que:

“...quando um maçom faz qualquer coisa errada (eles sempre fazem) então a maçonaria logo diz que não pode ser responsabilizada por atos individuais de seus membros, mas quando um maçom faz algo bom (raramente eles fazem) então a maçonaria logo diz que foi responsável e que aquele foi um ato planejado coletivamente dentro de um templo maçônico... exemplos temos aos montes, tanto de um como de outro caso...”

É como aquele pai feliz que vai com a família num desses restaurantes automatizados. Dentro do carro pede a comida, aperta um botão, dirige-se para o outro lado, paga para a máquina, pega a comida da máquina num saco e vai embora, dirigindo, comendo batata frita com a mão e falando ao celular, tudo ao mesmo tempo. Não faz muito tempo, quem comia comida em saco era para o cachorro. Essa é a vida que levamos hoje, infelizmente.

Antes de pensar que estender a mão ou expor os sentimentos é correr o risco de envolvimento, é pertinente considerar o que diz  Is 1;16-18:

“Lavai-vos, purificai-vos. Tirai a maldade de vossas ações de minha frente. Deixai de fazer o mal! Aprendei a fazer o bem! Procurai o direito, corrigi o opressor. Julgai a causa do órfão, defendei a viúva. Vinde, debatamos – diz o Senhor. Ainda que vossos pecados sejam como púrpura, tornar-se-ão brancos como a neve. Se forem vermelhos como o carmesim, tornar-se-ão como lã.”

Mal sabem que o fruto de nosso trabalho, de nosso ideal, está em nossos filhos. Mesmo assim, tem pai – maçom - que diz “meu filho tem que ser médico..., tem que ser engenheiro..., tem que ser político.. tem que seguir meus passos...” sem saber que isso é crime! E tem pai que vai mais além dizendo “meu filho, faça isso, porque isso é que dá dinheiro...” sem saber que neste momento, ele está instituindo a corrupção no coração de seu filho. Mal e mal se conscientiza de que se deseja um mundo melhor para seu filho, isso depende exclusivamente do filho que ele vai deixar para esse mundo. Temos que mostrar nosso conhecimento, respeitando as convicções e a dignidade, começando pela nossa própria família, porque ali começa a maçonaria. Ali começa a prática da doação, do amor, do conhecimento, enfim da arte que deve ser cultivada e respeitada. Temos que enobrecer nosso respeito pela honra e pela dignidade e assim, louvemos aquele que faz da maçonaria uma arte, ao mesmo tempo, penalizemo-nos daquele que faz da maçonaria um mercado. Esse é um coitado.

Mas, não obstante minha teimosia, existem causas mais profundas e significativas que não seria justo esquecê-las. Uma delas é a decadência da própria cultura. Um processo que tem como conseqüência a falência múltipla do comportamento, considerando que a concepção do mundo, até pouco tempo era baseada na filosofia popular que aos poucos foi perdendo para o pensamento não racional, não lógico. Ingenuidade, ignorância ou determinação de um bacanal da venalidade. Apenas a falência da filosofia desfrutava papel preponderante como orientadora da opinião pública. Muito bem observado por Albert Schweitzer,

“...é curioso que, não tenhamos interesse pelo que há de verdadeiramente valioso nas coisas do passado. Basta ver que as mais altas conquistas, aquelas que realmente poderíamos admirar, são sempre relatadas de modo francamente irrefletido.. em absoluto não nos comovem nem queremos recebê-las de herança. Tão somente o que de alguma forma se prende aos nossos planos do momento, às nossas paixões, sentimentos ou disposições estéticas em mentiras nas correntes do passado e depois ainda sustentamos que nele estamos fortemente alicerçados.”

É necessário entender que Maçonaria é uma arte. É necessário entender que a arte maior e única é olhar para si mesmo, é encontrar a verdade. É necessário entender que a verdade está dentro de nós. É necessário entender que arte é um meio, um sistema que nos conduz do nada, do caos inicial à realização completa e isso é buscar a verdade. É necessário dizer que buscar a verdade é buscar Deus, não importando a concepção de que cada um. É necessário entender que nosso dever está baseado na instituição de um comportamento estruturado na ética e na moral e que o amor está em nós, ou seja, vamos procurar nós, dentro de nós! Isso nos induz ao recolhimento, à introspecção, e

“...verificaremos então que o mundo é tal como parece, feito de coisas que não aparecem.” (Santo Agostinho)

É conhecida a história de Platão quando comparou o ser humano, a alguém fascinado pelas sombras que dançam nas paredes no fundo de uma caverna. Entretanto, ele mesmo, chamava a atenção, para que o homem deveria preocupar-se com aquilo que está atrás de si, provocando a sombra. Ou seja, a condição humana é diferente das idéias que fazemos dela. E esta diferença, entre o que pensamos e o que realmente somos, é que gera medo, gera conflito.

É nosso dever trabalhar para a consolidação de nossa integridade com união, participação, envolvimento. É muito comum ao vermos um irmão em dificuldade, escutarmos dizer, mesmo em loja, se precisar é só me telefonar. Quando na verdade, ao vermos um irmão em dificuldade, seja lá qual for esta dificuldade, devemos segurá-lo pela mão e não deixá-lo cair, pois para juntá-lo, depois é mais difícil. Mas os condicionamentos, os comprometimentos sociais e políticos são mais fortes e nos subjugamos a eles, apesar das bem-aventuradas e sagradas exceções.

A maçonaria é um fator determinante na função matemática da sociedade, pois para cada valor atribuído a um tipo de comportamento, corresponde um valor social do qual dependemos. E somos nós que atribuímos esses valores. São valores sociais, valores políticos; são valores econômicos, valores da educação e da saúde; são valores institucionais. Somos nós que atribuímos esses valores, sim, quando na verdade, somos nós que deveríamos reconhecer esses valores. É diferente.

Teríamos que deter a concepção de mundo, mais uma vez citando Albert Schweitzer quando referiu-se à cultura e concepção do mundo (Weltanschauung):

“A grande missão do espírito é criar uma concepção de mundo. Na concepção do mundo  é que se fundamentam as idéias, bem como a orientação e os empreendimentos de uma época. Somente quando chegarmos a uma concepção cultural do mundo é que estamos maduros para as idéias, propósitos e empreendimentos necessários a uma época de cultura.”

Temos que olhar para o social com os olhos do coração e não através de campanhas publicitárias com o ribombar da hipocrisia jogando na caixa de solidariedade o que sobra de um bingo dançante ou de um jantar beneficente.

Temos que saber olhar para o social, não através de campanhas publicitárias, mais conhecidas por medíocres beneficências, mas saber crescer na essência para então, unir para crescer na existência e lutar, para que a socialização dos usos e costumes, seja a base de sustentação de nossas famílias quando então, quem sabe, não teremos mais necessidade de fecharmos as portas de nossos templos.

Conseguiremos isso, e muito mais, se, e somente se, todos, formarmos a grande cadeia de união e trabalharmos por um ideal comum, um objetivo comum. Não seria temerário afirmar, que em todas as transformações históricas, por mais singelas ou complexas, que sempre houve um maçom presente. Seu grau de participação, não se pode mensurar, entretanto, a própria existência esotérica do seu comportamento, não exclui a probabilidade, ou mesmo a certeza, da intercessão de nossa cadeia de união.

Portanto, devemos zelar pela maçonaria, preocupando-nos mais com o bem estar da família maçônica, uma representação fiel e digna para qualquer maçom, não importa a nacionalidade ou rito. Sabemos que a luta, a perseverança, a determinação fundamenta-se, seja na fé ou na crença, de que não foi à toa quando alguém tentou estabelecer o comportamento ideal através de dez regras. Mesmo sem os resultados esperados, outro, voluntariamente, resume as dez regras em um poema cantando como é de fundamental importância, necessário, útil e agradável quando todos vivem em união. Ainda sem os resultados esperados apareceu o Grande Profeta com o postscriptum de todo esse acervo cultural de comportamento afirmando que, para sermos felizes, basta nos amarmos mutuamente. Foi preso, torturado e crucificado. Será que esses fatos foram por todos herdados e então, nos precavemos de tudo e de todos?

Devemos zelar pela maçonaria, preocupando-nos com a ética de seus próprios componentes; preocupando-nos com a moral pública, preocupando-nos com o comportamento de nossos representantes, principalmente, com aqueles que foram iniciados, se dizem irmãos e ocupam cargos públicos.

Devemos zelar pela maçonaria, preocupando-nos com o genocídio cultural e social do poder monetário, que através dessa fantástica máquina cinematográfica nos obrigam a digerir a cada minuto, filmes doutrinadores de um comportamento servil. Comportamentos e costumes com o devido apoio da imprensa televisada, escrita e falada agridem, destroem, seviciam, aviltam e arrasam a moral e a dignidade da família e do próprio Estado.

Devemos zelar pela maçonaria, preocupando-nos com a hipocrisia da liberdade, com a hipocrisia da igualdade, com a hipocrisia da fraternidade impostas por sistemas sociais mutilados e deturpados por normas de comportamento. Ditados pelo capital privado, detentor do controle absoluto do poder, impondo leis de mercado as quais, são mais importantes do que as leis da moral e da ética.

Devemos zelar pela maçonaria, porque chegará o dia em que haveremos de nos conscientizar dede

“que a beleza de uma cidade não está na beleza de seus teatros, na grandeza de seus estádios, de seus jardins, de seus monumentos, no esplendor de sua catedral... A beleza de uma cidade, se realiza quando todo mundo tem uma casa digna de ser habitada por pessoas humanas, quando há água potável para todos, a saúde garantida para todos, a possibilidade de freqüentar a escola para todos, a possibilidade do lazer para todos, para que o desabrochar da dignidade de cada um possa tornar-se uma realidade viva e completa.” (Dom Helder Câmara)

A maçonaria nos predispõe ao trabalho de conscientização político e social, não só com a palavra, mas, acima de tudo, com a ação, com a participação, com o envolvimento. Cabe a cada um de nós, portanto, decidir, porque esse trabalho nos coloca numa encruzilhada: ou ficamos parados, inertes, enclausurados, aguardando os acontecimentos, sentados no meio fio vendo a banda passar, transformando-nos em seres alienados, ou partimos para um trabalho efetivamente maçônico. Temos que decidir, apesar de evidente nos defrontarmos com o axioma de Dom Hélder Câmara:

“Quando eu falo da pobreza todos me chamam de cristão, mas quando eu falo das causas da pobreza, me chamam de comunista. Quando eu falo que os ricos devem ajudar os pobres, me chamam de santo. Mas quando eu falo que os pobres têm que lutar pelos seus direitos, me chamam de subversivo."

Temos que decidir e trabalhar para que as gerações futuras, principalmente nossos filhos, possam viver e gozar uma vida plena de realização e felicidade, enaltecendo um passado, feito por homens livres e de bons costumes. Homens que tiveram ao seu lado, mulheres que souberam manter a honra e a dignidade; mulheres que souberam, não apenas gerar a vida, mas também justificar e materializar o verdadeiro sentido do amor. Mulheres que, infelizmente, ainda amordaçadas por preconceitos de avental, não têm consciência do próprio poder e da própria força. Basta, porém, uma delas desfraldar uma bandeira, por menor que seja, e a história da maçonaria do Brasil, certamente, mudará seu rumo.

Portanto, rogo que reflitam sobre o estado de apostasia que nos foi imposto, em troca de nossa voluntária aceitação. Temos que lutar pela causa da maçonaria. Temos que lutar pela causa da família. Temos que lutar pela causa da sociedade e, principalmente, temos que lutar pela causa da Pátria. Temos que lutar, através da participação e envolvimento no processo histórico, pois, observamos um amaldiçoado sistema neoliberal, onde a concentração de renda, o capital especulativo, é mais importante que o capital produtivo; a tecnologia, mais importante que a mão de obra. É necessário participar e lutar pela globalização, não da estrutura social e econômica, determinada por índices de bolsa de valores, mas pela globalização das regras fundamentais que regem o comportamento social, a partir da educação, da ética, da integridade da família, da sociedade e do Estado. Não podemos nos esquecer que:

 

“Tudo que somos é resultado do que temos pensado:  está fundado em nossos pensamentos,  é composto de nossos pensamentos.

Se um homem fala ou age com um pensamento ruim, a dor o segue, como a roda segue a pata do boi que a puxa...

Se um homem fala ou age com um pensamento puro,  a felicidade o segue,  como a sombra que nunca o abandona.” (Gautama Buda)

PEDRO MOACYR MENDES DE CAMPOS

 

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