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Qui, 28 de Abril de 2011 10:00

O POUCO CONHECIDO E AGRESSIVO PTERÍGIO

Helio P. Leite

28.04.2011

Doença ocular que deixa a visão embaçada e causa lesões estéticas pode ser curada em hospitais da rede pública com cirurgias gratuitas. Enfermidade afeta cerca de 19 milhões no país, embora, em muitos casos, os sintomas não se manifestem claramente

Ele surge de repente e avança em silêncio em direção à córnea, recobrindo a parte branca do olho - ou esclera -, movendo-se rumo à íris e à pupila. Antes de chegar a este ponto e turvar a visão do paciente, porém, o pterígio causa a sensação de um cisco no olho: a conjuntiva fica vermelha, irritada, e o excesso de luz incomoda. Para evitar a oclusão parcial das imagens provocadas pela doença, há, hoje em dia, eficientes alternativas. A doença, dizem os especialistas, não leva à cegueira, mas obscurece formas e cores, além de gerar desconforto estético - porque as pequenas lesões marcam os olhos de estrias e dão a impressão de uma eterna conjuntivite.

O problema é pouco conhecido nos lares brasileiros e mal é comentado na imprensa e mesmo no universo dos hospitais e consultórios. O nome pode até ser incomum, mas não a enfermidade, que muita gente tem e não sabe - em muitos casos, os sintomas pouco incomodam e são confundidos com outros males. A doença afeta cerca de 10% da população brasileira, ou 19 milhões de pessoas, segundo dados oficiais.


O tratamento curativo é uma microcirurgia, acompanhada ou não por procedimentos complementares. É possível, entretanto, amenizar os sintomas com, por exemplo, o uso agregado da betaterapia (uso de radiação no local da incisão) ou com a aplicação da mitomicina C (MMC tópica), um medicamento coadjuvante que inibe a divisão celular e a sua síntese proteica.


"Ela (a droga) age sobre o processo de cicatrização, tornando-o menos intenso, e evita a proliferação celular", explica o oftalmologista Emerson Alves de Moraes, da Unidade de Oftalmologia do Hospital Regional da Asa Norte (Hran). Ele adverte, contudo, que muitas vezes os efeitos colaterais da MMC podem ser graves. "Pode ocorrer o afinamento da esclera ou a perfuração de áreas importantes para a visão", explica o oftalmologista.


O nome pterígio vem do grego e significa "asa pequena" ou "asinha" e atinge mais a população de países equatoriais. Moraes afirma que há diversas teorias para rastrear a patogênese da doença. "Está provado que a incidência é maior em países de áreas tropicais e subtropicais, onde o clima é mais seco e quente. Pessoas expostas à luz solar ou alvos constantes de irradiação ultravioleta e infravermelha, vento, poeira, fumaça, bem como a outros fatores irritativos, são mais propensas a desenvolver essa alteração", analisa Emerson Moraes.


Para a médica Dorotéia Matsuura, do Hospital de Olhos de Brasília, que se especializou em cirurgia de pterígio, há uma linha de pensamento atual que relaciona o efeito estufa à enfermidade. "Também há a questão hereditária e a exposição ao sol em excesso como fatores que desencadeiam a doença", destaca a médica.

Atendimento no DF

Para quem mora no Distrito Federal e não tem acesso ao serviço médico particular, a boa notícia é que vários hospitais públicos fazem gratuitamente a cirurgia. O Hospital Regional da Asa Norte (Hran) faz cerca de 50 procedimentos por mês; o Hospital de Base, 100; o Hospital Regional de Taguatinga, em torno de 80; e o Hospital Regional do Gama, 30. O caminho que leva à sala de cirurgia para retirar pterígios nos hospitais públicos começa nos centros de saúde, com as consultas clínicas. "A partir daí, os médicos encaminham os pacientes para consultas com os especialistas", explica a chefe do setor no Hran, a médica Euriceane Santos Campos.


O caso de Tânia Cordeiro Silva, 40 anos, é típico. Moradora da Asa Norte, a dona de casa apresentou todos os sintomas de pterígio no fim do ano passado. No início, confessa, pensou que fosse uma conjuntivite ou um outro problema qualquer. Jamais passou pela sua cabeça que tivesse uma doença de nome tão estranho. Antes de entrar na sala de cirurgia do Hran, em uma manhã do começo de abril, ela se sentia de certa forma aliviada, embora tensa. "Já fiz em um olho, agora vou operar o outro", disse, durante a consulta com o oftalmologista Emerson Moraes.


Menos de 30 minutos após a cirurgia, ela deixou o hospital confiante de que seu caso estava resolvido. "Incomodava muito e era muito feio. Tinha uma sensação de areia, ardia e me deixava tensa, agoniada", explicou, com um curativo no olho direito e um sorriso de alívio.


O intervalo entre as duas cirurgias gira em torno de dois meses, segundo o oftalmologista do Hran. "É uma cirurgia relativamente simples, mas, como todo processo cirúrgico, requer seus cuidados, sobretudo para se evitar recidivas", explicou, referindo-se à necessidade de proteger o olho operado da radiação solar e ao uso de um tampão por 24 horas.

A cirurgia do pterígio é ambulatorial, por não ser de alta complexidade. Atualmente, a técnica que apresenta uma das menores taxas de recidiva é a do transplante livre de conjuntiva. Há também o método da exérese, que o médico do Hran e a oftalmologista do HOB adotam. "Após a excisão (retirada) do pterígio, extrai-se da região superior do mesmo olho um retalho de conjuntiva limbar (transplante autólogo) e transporta-se para a área onde o pterígio foi ressecado", diz Moraes.


"Com essa técnica, a anatomia da região fica preservada, a esclera fica protegida e não é necessária a utilização de tratamentos especiais no pós-operatório", acrescenta Dorotéia Matsuura. Ela se refere aos efeitos colaterais normalmente apresentados por grande parte dos pacientes quando submetidos a tratamentos cirúrgicos combinados com betaterapia e uso de drogas.


Os riscos


Se a cirurgia não for benfeita, o paciente precisa conhecer certos problemas que eventualmente podem ocorrer, ressalta Emerson. Em primeiro lugar, trata-se de uma doença benigna e que não deve ser confundida com catarata ou outra enfermidade ocular, como, por exemplo, a neoplasia de conjuntiva. Em segundo lugar, é necessário que ele tenha consciência de que há uma taxa expressiva de reincidência pós-cirúrgica, segundo a literatura especializada, de 5% a 10%. Mas, dependendo dos casos, do uso de determinados métodos e do nível de qualidade dos procedimentos, essa taxa pode ser bem menor.


Essa taxa oscila de acordo com a idade e se torna cada vez mais elevada se o paciente for jovem, enquanto os de mais de 40 anos exibem índices bem mais baixos de recidivas. "Por isso, recomenda-se que as cirurgias sejam feitas em pessoas acima dos 40 anos", observa Moraes. O médico do Hran explica que não existe tratamento clínico para curar a doença, apenas o cirúrgico. As terapias atuais servem apenas para minimizar os sintomas da enfermidade - que, muitas vezes, exigem colírios lubrificantes, óculos com filtros solares de raios ultravioletas, compressas frias e colírios antialérgicos.


Doença do sol

O pterígio ataca cerca de 10% de grupos populacionais de países ensolarados, como os da América Latina e de parte da África. Na Europa e nos Estados Unidos, esse índice cai para 2%, segundo a literatura especializada.

Por Carlos Tavares

 

Comentários  

 
+2 # 25/10/2013 07:49
Bom dia!
Tenho 38 anos,tenho ptegirio nos dois olhos, já passei por uma cirurgia a 6 anos atrás no olho direito, mas ano passado ele voltou com mais intensidade...já pedi em minha cidade uma consulta pelo SUS, ganhei, a médica pediu urgência na operação, voltei no posto atendimento SUS e até hoje não consegui a operação, e o pior que a cada dia que passa meus olhos ficam mais vermelhos, o incômodo aumenta, estão super embasados e estou percebendo que a cada dia meu olho direito piora...não sei mais o que fazer, pois essa cirurgia particular é muito cara e estou desempregada...adorei essa reportagem pna que não tenho como ir para brasília, pq lá parece que é bem mais fácil conseguir a operação de ptegírio. Obgd!
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0 # 27/02/2014 21:06
Boa noite!
TENHO 24 ANOS, TENHO PTEGIO NOS DOIS OLHOS, NUNCA PASSEI POR CIRUGIA NÃO TENHO CONDIÇOES DE PAGAR PARTICULAR, QUERIA SABER COMO POSSO CONSEGUIR ESSA CIRUGIA PELO SUS , ESTOU COMPLETAMENTE DESSESPERADA. ADOREI ESSA REPÓRTAGUEM POIS ATE AINDA POUCO SÓ CONHECIA COMO CARNE NOS OLHOS E DEPOIS DE LER PERSEBIR REALMETE O QUE EU TINHA. ME AJUDE VOU AONDE FOR PARA FAZER ESSA CIRURGIA.
OBRIGADA!
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0 # HELIO NOCKO 02/07/2014 16:06
Tenho 65 anos. Tenho pterigeo no olho direito, já fiz três cirurgias, na última fiz betaterapia, isso faz 04 meses, e voltou e está me incomodando muito, não sei mais o que fazer ? Mudar de oftalmologista ? Moro em Curitiba/PR.
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