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MAÇONARIA: O SIMBOLISMO ESOTÉRICO DE UMA SESSÃO MAÇÔNICA Imprimir E-mail
Ter, 03 de Maio de 2011 17:00

MAÇONARIA: O SIMBOLISMO ESOTÉRICO DE UMA SESSÃO MAÇÔNICA

Helio P. Leite

03.05.2011

Antes de adentrarmos ao nosso Templo, para iniciarmos uma Sessão Maçônica, nos reunimos no Átrio. O Átrio é uma ante-sala reservada à preparação psicológica dos Obreiros. É no átrio que o Maçom organiza o seu traçado pessoal, inspiração individual que antecede o início dos trabalhos de uma Oficina Maçônica, cuja concentração possibilita ao Iniciado afastar da sua mente tudo o que existe de profano, tudo quanto existe de não sagrado, criando desta forma, um ambiente psicológico de transformação do intelecto e de desconexão da mente humana, do mundo objetivo dos instintos, das necessidades fisiológicas, para ingressar no mundo subjetivo do espírito, da evolução da alma.

O Átrio é um compartimento místico, onde na glória do silêncio o Iniciado tem a primeira oportunidade de aliviar a sua mente da pressão cotidiana. Trata-se de um exame moral e ético, a fim de tornar apto ao propósito de alcançar níveis mais elevados de sua consciência, para poder atingir mais profundamente a grandiosidade de sua alma e melhor compreender a natureza do corpo. De acordo com as observações de Confúcio, filósofo chinês, “....quando se examina como se deve agir, pode-se alcançar o objetivo”.

O átrio é um ponto do Universo que serve a quietude e serenidade do intelecto, dando início ao processo de meditação, fase que antecede o despertar maçônico, força que transmuta a alma do homem do plano material para o plano espiritual.

O CORTEJO DE ENTRADA é sempre acompanhado de peça musical adequada, e tem o propósito de servir de instrumento para auxiliar o Obreiro a tranqüilizar a sua mente e harmonizar o seu espírito. Assim, o deslocamento ritmado dos corpos em marcha, conduzidos por almas espontâneas, de homens livres e de bons costumes, em um ambiente impregnado por uma atmosfera repleta de harmonia, fraternidade e sabedoria, se constitui em uma ação regular de preparação do homem ao processo de formação da egrégora maçônica, cujo intento repousa e busca infinita do ideal de “...tornar feliz a humanidade pelo amor, pelo aperfeiçoamento dos costumes, pela tolerância, pela igualdade....”.

O Mestre de Cerimônias rompe a formação e dá início à entrada sempre com o pé esquerdo, por ser este a extremidade que fica mais próximo do coração. Deve agir desta forma como que a indicar que toda atividade de progresso do Maçom deve inspirar-se e basear-se na lei do amor, a mais poderosa força do Universo.

Encerrada a entrada, o comando “...em loja meus Irmãos...”, significa que o Maçom deve recolher-se e ficar em repouso.

No universo da sabedoria maçônica, a expressão “sentemo-nos” indica que o corpo físico do Maçom deve tomar a posição de esfinge. A esfinge é a chave velada da ciência oculta. A esfinge é uma alegoria que faz referência a um conjunto de quatro Símbolos ligados na sua unidade. O corpo do touro, as garras do leão, as asas da águia e cabeça do homem. Este conjunto encerra o quaternário oculto, o saber, o querer, o ousar e o calar; assim representado: o saber pela cabeça humana, o querer pelo corpo do touro, o ousar pelas garras do leão e o silêncio pelas asas da águia repousadas sobre o flanco do touro. De acordo com Santo Agostinho, primeiro pensador a desenvolver a noção de interioridade, em seu tempo. Ele já dizia “...no interior do homem habita a verdade...”.

Há um provérbio Budista que diz: “...se seus pensamentos são sábios, suas ações e decisões, necessariamente serão sábias...”. eis o grande mistério pelo qual o Iniciado deve dar início ao trabalho de construção do Templo Sagrado pela reflexão, ou seja, pela harmonização do espírito e pelo alinhamento dos pensamentos aos sãos princípios da moral e da razão.

Mentes livres, corpos relaxados, espíritos elevados, o ambiente está perfeito para a realização do Ritual de ABERTURA DOS TRABALHOS. Para isto, primeiro o Venerável determina se o Templo está a coberto. Este sutil simbolismo nos revela que ao empreendermos um importante trabalho é fundamental que haja concentração. Do mesmo mo que os oficiais verificam se o Templo está a coberto, o espírito humano invoca a inteligência que o enlace com as energias do mundo interior, cobrindo assim o seu templo astral, para resistir aos impulsos das emoções e manter puro e elevado o seu espírito. O Maçom deve aprender Cobrir seu Templo contra todas as fases do egoísmo, manifestadas na inveja, no ciúme, no orgulho desmedido e na intolerância.

Assim como a vida na terra tem origem com o raiar do sol, a vida no Templo tem início no momento da abertura do Livro da Lei, com o Sol ao meio-dia, sem sombras, com vigor para dissipar as trevas de nosso espírito. Quando o ORADOR abre o Livro da Lei e coloca sobre suas páginas o esquadro e Compasso, esse Mestre, por intermédio da escada de Jacó, traz à Loja a luz simbólica para que o Maçom possa estabelecer a união da sua mente com seu eu interior e, especialmente, com a sabedoria Divina, na figura do Grande arquiteto do Universo. A sabedoria está no cimo dos Montes de Sião. Para desfrutar dela é necessário subir a montanha, pela senda da virtude. A partir deste momento, forma-se no ambiente uma concentração energética de forças astrais e espirituais, originárias do agrupamento de mentes livres com sentimentos e pensamentos unidirecionados pela ação Divina do Criador, com capacidade de influir no todo.

A JORNADA DE TRABALHO de uma Loja vai do meio-dia à meia-noite. O simbolismo da jornada solar indica que os trabalhos maçônicos são abertos quando o Sol físico encontra-se a pino (no zênite), justamente quando sua força é maior, sua luz mais resplandecente, dotado de vigor para germinar a terra e produzir benefícios à natureza. Assim como o Sol renasce com todo o seu esplendor, os Maçons dever estar preparados para os seus trabalhos filosóficos, num eterno nascer, viver e morrer.

...Só há uma parte do universo que você é capaz de aperfeiçoar, você mesmo...

O venerável Mestre ao pedir a atenção de todos para a LEITURA DO BALAÚSTRE (ATA), aglutina todas as mentes presentes no ambiente em um só corpo. Essa estrutura tem poder para transportar a energia positiva de uma Sessão para outra, pois é o intelecto da Loja que se faz presente em todas as Sessões. A aprovação do Balaústre Maçônico representa, exatamente, que os Obreiros despidos de suas vaidades pessoais, movidos por uma sinergia mística, fundem-se em um só corpo, em uma só energia, para realização de um objetivo comum, que somado à força divina forma uma das maiores fontes de energia do universo.

O EXPEDIENTE Maçônico é o vigor da luz que provém do Oriente e se ramifica na direção de todos os astros que circundam o sistema solar, num processo contínuo de socialização de energias, energias que se propagam em benefício da informação; em favor do direito de possuir conhecimento sobre os acontecimentos da vida social; do compartilhar da energia cósmica que o relacionamento com o ambiente externo proporciona ao homem Maçom. É o exercício da inteligência humana, faculdade que permite ao homem relacionar-se, de forma lógica e estruturada, com o mundo que o rodeia, a fim de estabelecer o equilíbrio entre o lógico e o divino.

BOLSA DE PROPOSTAS E INFORMAÇÕES simboliza a reunião do conjunto das percepções mentais ou unificação da consciência coletiva da Loja, em um só desejo, um só elemento, conferindo às partes integrantes do universo simbólico uma unidade mística, hermeticamente conectada, no seu relacionamento com as partes construtivas desse mesmo universo. Essa relação de unificação das partes se estabelece pelo Ritual de circulação pelo Mestre de Cerimônias através do eixo da loja.

ORDEM DO DIA expressa o conjunto das decisões desenhadas na Prancheta da Loja, pelo Venerável Mestre, na construção da unidade fraternal; é o cimento místico elaborado para harmonizar as diferentes percepções, na edificação da obra social a que se destina a Maçonaria. O agir e o participar de um homem é uma conduta que serve de exemplo ao comportamento de muitos homens. Valemo-nos dos pensamentos de Juvenal Arduini, para ilustrar essa idéia: “...Participar é remover os troncos atravessados nas estradas do mundo, é aumentar possibilidades, é deslocar acontecimentos e alterar situações. É, pois, criando valores, soluções, justiça e solidariedade, que as pessoas participam. Só há participação nos acontecimentos do mundo quando o homem contribui para sua realização...”.

O TRONCO DE SOLIDARIEDADE OU BENEFICIÊNCIA, esotericamente determina uma equivalência espiritual ao exercício da caridade, pois, ao levar a mão esquerda ao tronco, a qual representa o lado do coração, da inteligência, o Maçom estimula sua consciência recordando-se que o valor verdadeiro da ação está contido nas qualidades morais, servindo os metais apenas para socorres os nossos semelhantes. Segundo Confúncio, “...Pequenas ações que realizamos são melhores do que as grandes que somente planejamos...”.

A PALAVRA A BEM DA ORDEM consiste no momento coletivo de evolução do homem, situação que se realiza pela troca das experiências fornecidas pelas várias personalidades humanas envolvidas. Ela faz referência ao mais puro e ao mais verdadeiro exercício de manifestação do direito a Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Além disso, estimula a prática da tolerância, o hábito da concentração, e o uso da relação de respeito ao livre-arbítrio, pilares de sustentação dos princípios da moral e da razão maçônica. Na oratória, o Maçom deve sob o comando da prudência e da razão, refrear seus impulsos intuitivos, a fim de não se exceder pelo vazio da retórica, mas ao mesmo tempo, empregar todo o seu entusiasmo, para que sua ação não se limite pela frieza da lógica. Na arte de falar o Maçom deve primar pela clareza de sentimentos e pela objetividade de exposição, de modo que o cérebro e coração atuem juntos em busca do equilíbrio entre a força do ato, a sabedoria da mensagem e a beleza do gesto.

NO ENCERRAMENTO, as conclusões do Orador representam o poder do verbo manifestado no homem, o qual se localiza no lado positivo, ou direito, da mente divina. O Orador é aquele que vela pela aplicação das leis do universo e deve fazer brilhar a luz no espírito dos Obreiros.

Para o Maçom, a expressão “fechar a Loja” não deve significar somente encerrar os trabalhos de uma Sessão. Assim como na natureza, o fim de um ciclo representa o início de outro; assim, deve a expressão “fechar a Loja” significar que o homem bem equilibrado necessita pôr em prática a sabedoria de um ideal, cuja verdade reconheceu pela força da razão, e o seu propósito pela beleza do compasso do coração.

O cortejo de saída do Templo deve ser acompanhado de uma música alegre, a título de saudação e louvor à vitória, a conquista do estado de elevação que os Obreiros atingiram, graças ao fluxo de energias de uma Sessão Maçônica, com suas forças renovadas, para mais uma semana de trabalho em prol do bem comum.

Por Carlos Roberto Martins

 

 

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