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AS MAIORES REALIZAÇÕES DE NOSSOS GOVERNANTES SÃO OS "FACTÓIDES" PDF Imprimir E-mail
Qua, 22 de Junho de 2011 17:49

AS MAIORES REALIZAÇÕES DE NOSSOS GOVERNANTES SÃO OS "FACTÓIDES"

Helio P. Leite

22.06.2011

A prefeitura do Rio, como todos sabem, é comandada por um político da escola de Cesar Maia, que se notabilizou em seus mandatos pela farta produção de factóides, ou melhor, pela divulgação de pretensos fatos administrativos que jamais se tornam realidade, e são lançados única e exclusivamente para badalar o político na mídia. E isso vale para todos os governantes, sejam municipais, estaduais ou federais, pois transformaram o Brasil num gigantesco factóide.

Desde o início do mandato de Eduardo Paes, que já passou da metade e agora caminha para um final melancólico, tivemos de encarar vários factóides. Um dos maiores foi o anúncio do planejado fechamento da Avenida Rio Branco entre a Candelária e a Cinelândia, para transformar a área num gigantesco parque urbano, exclusivamente para pedestres.

Até agora, o projeto factóide não saiu do papel, porque seria um desastre para a cidade e representaria diariamente um sofrimento para um milhão de pessoas, pelo menos, que se deslocam de um bairro a outro passando pelo Centro. Não faz o menor sentido.

Para criação do parque urbano, para onde seria desviado o tráfego que vem da Praça Mauá e se dirige à Zona Sul para pegar o Aterro? Teria que ser praticamente todo deslocado para o elevado da Perimetral ou para o mergulhão da Praça XV. E como ficaria o trânsito dos que se deslocam através da Av. Chile ou da Av. Almirante Barroso? Ninguém responde, silêncio absoluto.

É conversa de maluco. Pararia a cidade. O refluxo de ônibus e carros seria colossal. Uma catástrofe. O custo, em tempo e poluição, seria imenso. O pior é que o fechamento da Av. Rio Branco se contrapõe a outro factóide, que é a destruição do Elevado da Perimetral, a pretexto de embelezar e valorizar a velha área portuária, no modelo de Buenos Aires, mas esquecem que na capital argentina o porto não é a mais importante via de passagem da cidade. E tudo isso ao modesto custo inicial de R$ 3 bilhões (25% do orçamento municipal), que todos sabem logo se transformará em R$ 10, 20 ou 30 bilhões, na mágica ilusionista de aumentar gastos públicos, em que os políticos brasileiros se revelam grande mestres.

Tudo parece uma grande brincadeira. Pelo cotejo dos “projetos”, verifica-se o rematado absurdo dessas medidas. Sem o elevado da Perimetral, por exemplo, como ficará o acesso à ponte Rio-Niterói? Ninguém explica, porque não tem mesmo explicação. Outra visão relativa projeta-se como algo totalmente sem sentido, porque o elevado seria substituído por um mergulhão. Em vez do andar de cima, o andar de baixo. Seria como trocar seis por meia dúzia, mas quanto vai custar esse mergulho sob o asfalto selvagem?

No meio de tudo isso, surge mais um factóide, a nova Rodoviária a ser construída no Irajá, logo ali, bem pertinho, para não dizermos o contrário. E o prefeito anuncia esses factóides impunemente, com ar triunfante, como se fosse um novo Nero antes de atear fogo à cidade. E ninguém chama a ambulância? Onde está o Samu, criado justamente para atender a essas emergências. E o que faz o plantão psiquiátrico do famoso Hospital Philippe Pinel? Não há nenhum psiquiatra de plantão na rede pública de saúde, para meter Sua Excelência numa camisa-de-força, aplicar-lhe um haloperidol na veia e acabar com esse suplício? Alguns meses de internação talvez resolvessem o problema, o paciente enfim poderia superar o furor factóide que o acomete desde o início do mandato.

Tanta coisa a ser feita, numa cidade problemática como o Rio de Janeiro, às vésperas de uma Copa do Mundo e de uma Olimpíada, e as autoridades a delirar, a sonhar com o intangível, a projetar obras surrealistas que prejudicarão a vida de todos os habitantes. O mandato de Sua Excelência caminha para o final. Ainda não conseguiu concluir nem mesmo a Cidade da Música, outra delirante criação de seu antecessor e ex-mentor Cesar Maia, que inventou essa moda dos factóides, da qual parece que não conseguiremos nos livrar nunca, pois vem sendo reproduzida também nos níveis estadual e federal.

Na verdade, os governantes dessa geração parecem detestar soluções claras e simples. Se podem complicar, por que simplificar? Eles têm a visão distorcida pela sofisticação, como se ela fosse sinônimo de capacidade técnica e cultural. Sempre que podem, viajam ao exterior e voltam totalmente modernizados, a querer instalar trens-bala até na subida do Corcovado.

E não lhes preocupa saber quanto custa, quem irá pagar a conta e quem será beneficiado (além dos empresários, empreiteiros e corruptos de plantão, é claro). Já não ganharam as obras da Copa e da Olimpíada sem licitação, sem coordenação e sem fiscalização? O que mais querem? Não se satisfazem nunca?

 

Por Carlos Newton

 

 

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