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POR QUE O EQUINÓCIO DA PRIMAVERA (HEMISFÉRIO NORTE) É A MARCA REFERENCIAL PARA A FIXAÇÃO DA DATA DA PÁSCOA Imprimir E-mail
Escrito por Teófilo Jorge   
Dom, 31 de Março de 2013 17:00

Por que o Equinócio de Primavera (Hemisfério Norte) é a marca referencial para a fixação da data da Páscoa?

Em astronomia, equinócio é definido como um dos dois momentos em que o Sol, em sua órbita aparente (como vista da Terra), cruza o plano do equador celeste (a linha do equador terrestre projetada na esfera celeste).

 

Mais precisamente é o ponto onde a eclíptica cruza o equador celeste.

Ao medir a duração do dia, considera-se que o nascer do Sol no horizonte é o instante em que metade do corpo solar está acima (ou metade abaixo) do horizonte e o pôr do Sol o no instante em que o corpo solar encontra-se metade abaixo (ou metade acima) do horizonte. Com esta definição o dia durante os equinócios tem 12 horas de duração.

A palavra equinócio vem do Latim aequinoctiu e significa "noites iguais".

Os equinócios acontecem em Março e Setembro. Estas são as duas ocasiões em que o dia e a noite tem duração igual.

No hemisfério Norte o equinócio de Março é o Equinócio de Primavera (chamado de Verão ou Vernal) e o de Setembro é o Equinócio de Outono.

O inverso ocorre no hemisfério Sul.

O Equinócio de Primavera (hemisfério Norte) ocorre nos dias 20 ou 21 de Março e o de Outono em 22 ou 23 de Setembro. A fixação da Páscoa para os judeus e cristãos se baseia na Lua Cheia posterior à entrada do Sol em Áries, ainda que com a diferença de que os judeus a celebram neste próprio dia e os cristãos no domingo seguinte.

Atualmente pouquíssimas pessoas guardam algum conceito do significado espiritual das festas eclesiásticas comumente observadas. Ainda que as Igrejas Católica Romana e Anglicana da Inglaterra observem tais solenidades festivas, seu significado interno tem se perdido amplamente. Tais festas religiosas estão intimamente relacionadas com o ciclo do Cristo Cósmico através do ano tendo como pontos cardeais os Solstícios de Verão e Inverno e os Equinócios de Primavera e Outono. No Solstício de Inverno, a noite é mais longa e no Solstício de Verão o dia é maior que a noite.

No equinócio do hemisfério sul o período de iluminação do dia é igual ao período de escuridão da noite (21 de março, outono, acrescentando-se um dia nos anos bissextos).

De acordo com o Decreto do Papa Gregório XIII (Ugo Boncampagni, 1502-1585), Inter Gravissimas em 24/02/1582, seguindo o primeiro Concílio de Nicéia de 325 d.C., convocado pelo imperador romano Constantino.

A Páscoa ocorrerá no primeiro Domingo após a Lua Cheia Eclesiástica (13 dias após a Lua Nova Eclesiástica, definida segundo o ciclo metônico) que ocorre após ou no Equinócio da Primavera Eclesiástica (21 de março).

Caso o dia assim definido esteja além de 25 de abril, a Páscoa ocorrerá no Domingo anterior e, caso a Lua Cheia Eclesiástica ocorra no dia 21 de março e se esse dia for um Domingo, a Páscoa será no dia 25 de abril.

Entretanto, a data da Lua Cheia (plenilúnio) não é a real, mas a definida nas Tabelas Eclesiásticas (Lua Eclesiástica) que, sem levar totalmente em conta o movimento complexo da Lua podia ser calculado facilmente e está próximo da lua real astronômica.

É um evento religioso cristão, normalmente considerado pelas igrejas ligadas a esta corrente religiosa como a maior e a mais importante festa da Cristandade Católica.

A Igreja do século I conhecia uma só festa: a celebração hebdomadária (semanal) e anual da Páscoa da Ressurreição. Nascia assim o núcleo a partir do qual se desenvolveu historicamente o culto cristão (liturgia).

Nos séculos IV a VII, a fé dos cristãos no “mistério pascal” foi-se explicitando em celebrações independentes para cada aspecto particular do “mistério” separadamente.

Os cristãos vinham criando um calendário próprio que os distinguia dos judeus e dos pagãos. Aliaram, porém, princípios calendariais judaicos e pagãos, unindo um calendário lunar a um calendário solar.

No entanto, algumas festas estavam tão inseridas no quotidiano de cristãos e pagãos que a Igreja preferia reinterpretá-las em contexto cristão, sobretudo quando o Cristianismo, a partir do século IV, se tornou religião da Cristandade.

De forma eminentemente rápida e prática, podemos dizer que o Catolicismo tem as festas móveis (a Páscoa é o referencial para a marcação das demais) e as fixas. Um exemplo destas últimas é o Natal, Natalis (Solis) Invicti.

Constantino declarou ferial “o venerável dia do Sol” por lei de 371 d.C.. Este era o dia que os cristãos chamavam de dies dominica (domingo).

As festas natalinas (solares) nasceram igualmente no século IV, não só como a celebração da vinda do Senhor entre os homens (adventus), da Sua manifestação na carne (epiphania) mas também como uma necessidade de afastar os cristãos das festas pagãs do solstício de inverno (hemisfério norte), comemorado em Roma a 25 de dezembro e no Egito e Oriente a 6 de janeiro.

A contraposição do Natale Christi ao Natalis (Solis) Invicti a 25 de dezembro, na colina vaticana, apoiava-se nas alusões explícitas da tradição patrística ao simbolismo do Cristo como sol da justiça (Ml 3, 21) e luz do mundo (Jo 8,12). As grandes discussões cristológicas dos séculos IV e V encontraram na celebração do Natal oportunidade para afirmar a fé na Encarnação do Verbo.

Na Páscoa os cristãos católicos celebram a Ressurreição de Jesus Cristo depois da sua morte por crucificação que teria ocorrido nesta época do ano em 30 ou 33 dC. Depois de morrer na cruz, seu corpo foi colocado em um sepulcro, onde ali permaneceu por três dias, até sua ressurreição. O domingo, do latim Domini Dies, o dia do Sol, é considerado o dia da ressurreição do Senhor.

É o dia santo mais importante do Catolicismo. A última Ceia partilhada por Jesus Cristo e seus discípulos é narrada nos Evangelhos e é considerada, geralmente, um “sêder do pesach” – a refeição ritual que acompanha a festividade judaica, se nos ativermos à cronologia proposta pelos Evangelhos sinópticos. O Evangelho de João propõe uma cronologia distinta, ao situar a morte de Cristo por altura da hecatombe dos cordeiros do Pessach. Assim, a última ceia da qual participou Jesus Cristo (segundo o Evangelho de Lucas 22:16) teria ocorrido um pouco antes desta mesma festividade.

De acordo com os Evangelhos, a paixão e a morte de Cristo coincidiram com a festa que os judeus comemoram a libertação do cativeiro egípcio.

A associação com o Judaísmo é óbvia e intencional. O nome Páscoa vem do hebreu Pessach, em grego paskha e latim pache - significa passagem, uma transição anunciada pelo equinócio de primavera (ou vernal). A páscoa judaica comemora a saída (para alguns fuga) do povo hebreu do Egito, sob o comando de Moisés. Os judeus vêem na Páscoa a definitiva Aliança.

Muitos costumes ligados ao período pascal originam-se dos festivais pagãos da primavera. Outros vêm da celebração do Pessach, ou Passover, a Páscoa judaica, que é uma das mais importantes festas do calendário judaico,

O calendário judaico, diferentemente do gregoriano, é baseado no movimento lunar. Onde cada mês se inicia com a lua nova (quando é possível visualizar o primeiro reflexo de luz sobre a superfície lunar).

O início da contagem do calendário judaico se refere à criação do mundo. O primeiro mês do calendário judaico é o mês de Nissan, quando temos a comemoração do Pessach. Entretanto, o ano novo judaico ocorre em Tishrei (setembro-outubro).

Esta data não é a mesma da Páscoa Juliana e Gregoriana.

Nas línguas saxônias o nome indica uma associação com o mês de abril, quando se comemora a morte do inverno e a recuperação da vida, simbolicamente ligado à Ressurreição.

SÍMBOLOS DA PÁSCOA*

Muitos são os símbolos da Páscoa, entre os quais o coelhinho e o ovo, os quais foram tirados das lendas nórdicas. O coelho, primeiro porque é o primeiro animal a sair das tocas após longo período do inverno e, segundo, porque é o símbolo da fertilidade, da fecundação.

Estes povos trocavam entre si, como presentes, neste período o ovo, símbolo de uma nova vida que carrega em seu interior.

Começou na Idade Média a tradição entre os cristãos de se comemorar a Páscoa dando ovos enfeitados como presentes. Ainda na época medieval passaram a colorir os ovos que eram presenteados. Os ovos de chocolate surgiram por volta de 1860.

No antigo Egito, o coelho simbolizava o nascimento e a nova vida. Alguns povos da Antigüidade o consideravam o símbolo da Lua. É possível que ele se tenha tornado símbolo pascal devido ao fato de a Lua determinar a data da Páscoa.

MITOLOGIA NÓRDICA*

Muito antes de ser considerada a festa da ressurreição de Cristo, a Páscoa anunciava o fim do inverno e a chegada da primavera.

A Páscoa sempre representou a passagem de um tempo de trevas para outro de luzes, isto muito antes de ser considerada uma das principais festas da cristandade.

De fato, para entender o significado da Páscoa cristã, é necessário voltar para a Idade Média e lembrar os antigos povos pagãos europeus que, nesta época do ano, homenageavam Ostera, ou Esther - em inglês, Easter quer dizer Páscoa.

A festa tradicional, segundo as concepções católica e ortodoxa, associa a imagem do coelho, um símbolo de fertilidade, e ovos pintados com cores brilhantes, representando a luz solar, dados como presentes.

Ostera (ou Ostara) é a Deusa da Primavera, que segura um ovo em sua mão e observa um coelho, símbolo da fertilidade, pulando alegremente em redor de seus pés nus.

A deusa e o ovo que carrega são símbolos da chegada de uma nova vida. Ostara equivale, na mitologia grega, a Perséfone.

Na mitologia romana, é Ceres.

Surge o delicado amarelo (amarelo) do Sol e o encantador verde das matas.

A celebração de Ostara, comemora a fertilidade, um tradicional e antigo festival pagão que celebra o evento sazonal equivalente ao Equinócio da primavera. Os pássaros estão cantando, as árvores estão brotando.

Algumas das tradições e rituais que envolve Ostara, inclui fogos de artifícios, ovos, flores e coelho.

Ostara representa o renascimento da terra, muitos de seus rituais e símbolos estão relacionados à fertilidade. Ela é o equilíbrio quando a fertilidade chega depois do inverno.

É o período que a luz do dia e da noite têm a mesma duração.

Ostara é o espelho da beleza da natureza, a renovação do espírito e da mente. Seu rosto muda a cada toque suave do vento. Gosta de observar os animais recém-nascidos saindo detrás das árvores distantes, deixando seu espírito se renovar.

Ostara foi cristianizada como a maior parte dos antigos deuses pagãos.

Os símbolos tradicionais da Páscoa vêm de Ostara. Os ovos, símbolo da fertilidade, eram pintados com símbolos mágicos ou de ouro e eram enterrados ou lançados ao fogo como oferta aos deuses.

É o Ovo Cósmico da vida, a fertilidade da Mãe Terra.

Ostara gosta de verde e amarelo, cores da natureza e do sol.

A Páscoa foi nomeada pelo deus Saxão da fertilidade Eostre, que acompanha o festival de Ostara como um coelho. Por esta razão, o símbolo do coelho de páscoa na tradição cristã. O coelho é também um símbolo de fertilidade e da fortuna. A Páscoa foi adaptada e renomeada pelos cristãos, do feriado pagão Festival de Ostara, da maneira que melhor lhe convinha na época assim como a tradição dos símbolos do Ovo e do Coelho.

No Cristianismo, a data da Páscoa é o marco para a definição de todas as Festas Móveis.

São chamadas Festas Móveis em virtude de serem comemoradas em datas diferentes todos os anos. Porém, guardam entre si e a data da Páscoa uma eqüidistância fixa.

Na realidade, a única comemoração efetivamente variável é a Páscoa. As outras, por dependência, são deslocadas ao longo do ano, sempre mantendo um número igual de dias fixos, tanto para antes como para depois dela.

Em seqüência, expomos as principais festas móveis, com as respectivas equidistâncias da Páscoa:

A Quinquagésima (domingo de carnaval) 49 dias antes da Páscoa
Quarta feira de cinzas 46 dias antes da Páscoa
Domingo de Ramos 7 dias antes da Páscoa
Sexta feira da Paixão 2 dias antes da Páscoa
A Ascensão 39 dias depois da Páscoa
Espírito Santo 49 dias depois da Páscoa
S.S Trindade 56 dias depois da Páscoa
Corpo de Cristo 60 dias depois da Páscoa

COMO SE CALCULA A DATA DA PÁSCOA

Podemos achar esse dia através do método das Epactas ou de recursos matemáticos pelas fórmulas dos alemães Hartmann e Gauss. A do segundo é conhecida como "Algoritmo de Gauss".

A seqüência exata de datas da Páscoa repete-se aproximadamente em 5.700.000 anos no nosso calendário Gregoriano.

Hoje com os recursos da informática e da internet é mais fácil. Acesse o link http://www.arlindo-correia.com/160101.html

Basta ir até ao final da página e digitar o ano. A data da Páscoa e outras que a tem como referencial aparecerá.

No recente e brilhante livro do Ir:. Eleutério Nicolau da Conceição, intitulado "MAÇONARIA - RAÍZES HISTÓRICAS E FILOSÓFICAS” -, em sua 2ª Edição ampliada e revisada, da Editora Cultural "O PRUMO", Florianópolis, SC, 2006, no capítulo 4, Religião, Ciência e Maçonaria, à página 146, literalmente ora colacionado:

(...)

" As observações da posição do sol nascente e poente sobre o horizonte, por exemplo, indicavam o momento propício para as plantações e colheitas; a posição de outros astros no céu coincidia com as cheias dos rios, e as condições do céu ao entardecer indicavam como seria o tempo no dia seguinte. De modo semelhante, a procura de poções e fórmulas mágicas, bem como a observação acurada das plantas e comportamento animal, propiciou o descobrimento de propriedades curativas de plantas e substâncias químicas. Os primeiros homens de ciência foram os xamãs, feiticeiros, e sacerdotes. Mesmo em povos com alto grau de civilização, como os mesopotâmicos e os egípcios, a medicina era praticada principalmente pelos sacerdotes, e os primeiros astrônomos foram os astrólogos. " (o destaque em negrito e sublinhado são meus).

Como se depreende, desde os primórdios da humanidade o estudo e a veneração (observação) aos fenômenos da natureza, especialmente os astronômicos e astrológicos, como a posição do Sol e da Lua, eram determinantes da cultura dos povos porque eram primordiais para a sua mantença através da agricultura, base de sua sobrevivência.

Contudo, independente de qualquer credo religioso, o que importa é o religare como instrumento (meio) da Fé (fim) no Princípio Criador que todos nós devemos nutrir como o principal transdutor e amplificador da esperança, da constante renovação cíclica da natureza, de cujo ritmo e movimento periódico fazemos parte neste imenso cosmo.

* Fonte: Ir:. João Ivo Girardi, que é autor da obra intitulada "Vade-Mécum Maçônico – Do Meio-Dia à Meia-Noite". Tem mais de 700 páginas e aproximadamente 3000 verbetes, O acima colacionado foi publicado no JB NEWS Nº 926, de 17/03/2013. O JB News publica todos os domingos parte desta formidável obra. O autor do livro é da Loja "Obreiros de Salomão" nº 39, de Blumenau, SC.

 

Por Hélio Leite

 

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