Home Templo de Estudos Maçônicos A MAÇONARIA E A GUERRA DO PARAGUAI
A MAÇONARIA E A GUERRA DO PARAGUAI Imprimir E-mail
Escrito por Rogério Torres   
Sex, 05 de Abril de 2013 17:00

Desde o Tratado de Tordesilhas, assinado na povoação castelhana de Tordesilhas em 7 de Junho de 1494, vem ocorrendo disputas em busca de poderes e influências na América do sul. As inúmeras disputas entre os reinos de Portugal e Espanha desencadearam inúmeros conflitos e alianças e o equilíbrio de forças oram pendiam para o lado espanhol e ora para o lado português que buscava em política de franco expansionismo conquistar e manter a maior quantidade possível de território latino americano.

A maçonaria sempre teve um papel fundamental nesses jogos de poderes, porém nem de longe unida em objetivos comuns. Ela atuou no processo de independência da América espanhola com ideais republicanos e abolicionistas liderados pelo Ir:. Simom Bolivar e Ir:. José Artigas assim como pregava ideais monarquistas encabeçados pelo Ir:. San Martin. Assim como atuou na Independência Brasileira com os Ir:.José Bonifacio mantenedores da linha monárquica e Ir:. Gonçalves Ledo atuando pela República.

“O Grande Oriente do Brasil desde sua origem deixou transparecer a sua preferência política pelo regime republicano presidencialista. basta lembrarmos as figuras proeminentes de Joaquim Gonçalves Ledo, Cônego Januário da Cunha Barbosa e José Clemente Pereira, fundadores do GOB e expoentes máximos da corrente maçônica no âmbito da novel instituição então criada. A corrente maçônica politicamente monarquista, que na terceira década do século XIX teve em José Bonifácio de Andrade e Silva a sua maior figura representativa, apoiado no despotismo de D. Pedro I, era majoritária na estrutura do Grande Oriente do Brasil e, por isso, politicamente forte e dominante. “ – Jornal do GOB-RS

As correntes republicanas da Maçonaria alcançaram êxito no processo de fragmentação e independência do Vice-reino espanhol e no Brasil, devido a enorme polaridade de D. Pedro I, o peso da balança se inclinou para o lado monarquista.

O fato é que embora com ideias contrárias quanto aos regimes administrativos a questão da Liberdade, Igualdade e Fraternidade era intensa e reinava universalmente. Cabe, no entanto, frisar que o conceito de Liberdade e Igualdade para o fim do século XVIII e inicio do Século XIX era um tanto relativo, pois muitos maçons a época não viam os povos negros como cidadãos e sim como meros materiais.

O Rio da Prata, nome este que desde 1537 era conhecido o rio Paraguay, era a principal via de acesso ao interior da América do Sul, portanto o principal caminho para as províncias espanholas assim como os territórios da expansão portuguesa conquistados desde 1600. Para se ter uma ideia de sua importância em 1865, ano de início do conflito, levava-se a pé de 02 a 03 meses para se chegar do Rio a Cuiabá, em uma viagem arriscada e perigosa, enquanto que na rota náutica o tempo era de apenas 02 semanas. Com tal importância estratégica não é difícil imaginar que a Bacia do Prata seria o foco primário de todas as nações que o rodeavam.

A grande Guerra do Paraguai foi, portanto, o ponto final da questão da cisplatina, que levou o Brasil a quarta e maior batalha internacional na região pela supremacia sul-americana, sendo a primeira a Guerra cisplatina, a segunda a Guerra do Prata e a terceira a Questão Uruguai.

Foi prevendo o desfecho da Questão do Uruguai, que em setembro a novembro de 1863 o Paraguai alertou a Argentina sobre a necessidade de preservação da independência Uruguaia para não haver quebra do equilíbrio de poder na região do Prata. Em 30 de agosto de 1864 o Paraguai dá, então, o

A:.R:.L:.S:. União e Silêncio Nº 1582

ultimato ao Brasil para que não intervenha no Uruguai. Em 16 de outubro as Tropas brasileiras invadem o Uruguai em apoio ao maçom Venâncio Flores e a Marinha do Brasil bloqueia Montevidéu, o Paraguai considera a agressão como um ato de guerra. Em 12 de novembro o Paraguai toma o navio a vapor brasileiro Marquês de Olinda em Assunção, este navio transportava o novo governador da província de Mato Grosso. O Brasil responde, cortando relações diplomáticas com o Paraguai. Em 13 de dezembro, o Paraguai formalmente declara guerra ao Brasil e inicia a invasão do Mato Grosso. Portanto, o Paraguai teve fortes motivos para iniciar a guerra, não sendo uma provocação fortuita e sem avisos como ainda hoje muitos alunos de nossas escolas acreditam.

O fato é que no Brasil ninguém acreditava ou ponderava ser possível que o Paraguai pudesse interferir na questão do Prata. As poucas vozes que previram com precisão a guerra e suas consequências foram dos Ir:. Irineu Evangelista de Souza (Barão de Mauá), que mantinha negócios no Uruguai e argentina, defendendo uma ocupação financeira e comercial da região.

Em 01 de maio de 1865 é assinado o Tratado da Tríplice Aliança. O historiador profano Carlos Alberto Pusineti Scala, diretor da casa de La Independência – Assunção - Paraguai, em depoimento ao documentário “Guerra do Brasil – Toda a Verdade sobre a guerra do Paraguai” é enfático ao afirmar que a tríplice aliança somente foi possível devido a ação direta da maçonaria, pois, a vontade geral do povo argentino era de fato atuar em defesa da república Paraguaia.

Em 11 de Junho de 1865 os aliados ganham a supremacia da bacia do Prata, após a batalha

de Riachuelo, com o destaque do Ir. Joaquim Marques Lisboa (MARQUES DE TAMANDARÉ), Comandante-em-Chefe das operações navais brasileiras no Rio da Prata, quando foi destruída a maior parte da esquadra paraguaia, comandada por Ignácio Meza.

O resultado da batalha do Riachuelo garantiu o domínio das comunicações fluviais com o Paraguai e assegurou a eficácia do bloqueio através do controle dos rios Paraná e Paraguai. Também facilitou o isolamento e a rendição das forças do ditador Solano López no Rio Grande do Sul.

A rendição de Uruguaiana, que fechou o avanço Paraguaio, foi assinada em 18 de Setembro 1865 é curiosamente foi um grande retrato da atuação maçônica no evento. No quadro “A rendição de

Uruguaiana”,do ir. Victor Meirelles é registrado a participação maçônica e dos Irr. Vitoriosos tais como

o comandante e presidente Uruguaio Ir. Venâncio FLORES, O comandante e presidente Argentino

Ir. Bartolomeu MITRE, e o comandante da tropas brasileiras Ir. Manoel Marques de Souza (CONDE

DE PORTO ALEGRE) incluindo também neste a presença neste do Ir. Luiz Alves de Lima e Silva (DUQUE DE CAXIAS), que seria o próximo comandante geral da batalha e 1867 alem dos não maçons o Imperador D. Pedro II e seu genro Gastão de Orleans (CONDE D´EU) .

O ano de 1866 começou com grandes batalhas, o Ir:. Emilio Conesa comandou as tropas argentinas a 9 de janeiro na Batalha de Pehuajó e Corrales, batalha de Pehuajó que teve alto preço para os argentinos onde mais de 900 argentinos morreram nesta ultima batalha em estado Argentino.

Em 16 de Abril de 1866 iniciou-se a invasão do Paraguai, e logo após em 24 de maio ocorreu a Batalha de Tuiuti, a maior da história latino-americana onde os Paraguaios tentam desalojar força

invasora, mas são derrotados em uma virada da balança comandada pelo Ir. Manuel Luiz OSÓRIO (Marquês de Herval), a atuação de Osório passa a ser uma lenda para os soldados da força de Voluntários da Pátria.

Em outubro de 1866 o Ir. Luiz Alves de Lima e Silva (DUQUE DE CAXIAS) assume o comando em chefe das tropas de tríplice aliança, e em 6 de novembro do mesmo ano é concedido liberdade a todo escravo que for designado para a guerra. As tropas Brasileiras passam a atuar com uma

A:.R:.L:.S:. União e Silêncio Nº 1582

grande quantidade de negros nas tropas. Os Paraguaios em adjetivos pejorativos chamam as tropas dos brasileiros de Cambás e Macacos, apelidos que até hoje são mantidos aos brasileiros nas regiões dos conflitos.

Em maio 1867 a fracassa a primeira tentativa de libertação do Mato Grosso sob o comando do

Ir:. Carlos de Morais Camisão. A fuga desenfreada das tropas Brasileiras é amplamente retratada no

livro a “Retirada da Laguna” do Ir:. Alfredo D’Escragnolle o Visconde de Taunay, clássico da literatura nacional.

A maçonaria no Paraguai ficou na clandestinidade nos governos republicanos Paraguaios de José Gaspar Rodriguez de Francia , Carlos Antonio López e Francisco Solano Lopez. Durante esse período de 1845 a 1869 as principais lojas do pais, a loja Pitágoras em Asunción, pela venerança do Ir :. Enrico Tuba e a loja Volante Conway, funcionando a bordo do buque britânico Locust, pela venerança do Ir:. Ernesto Hotham foram capazes de iniciara muitos ingleses e Paraguaios até 1.866, fase em que o Paraguai intensificava suas defesas durante a guerra.

Em Janeiro de 1869, Assunção, capital da republica Paraguaia era ocupada por forças argentinas, Brasileiras e Uruguaias. Na cidade sitiada reinava o caos e a confusão enfermos e feridos chegavam de vários pontos do país necessitados de abrigos e assistência médica. No mesmo momento se constituía um governo provisório presidido pelo Ir:. Cirilo Antonio Rivarola, enquanto o Francisco Lopez fugia rumo a Amambay com uma pequena escolta de soldados.

Para amenizar o caos e a miséria é criado um movimento maçônico na capital paraguaia iniciado pelo Ir:. José Roque Pérez, então Primeiro Ministro Argentino, pelo Ir:. José Maria Paranhos, Ministro plenipotenciário do Brasil, os Ir:. Paraguaios Dom José Segundo Decoud e Cirilo Rivarola e diversos outros maçons estrangeiros, criando um asilo no local onde seria criada a primeira loja pós guerra chamada de FÉ, fundada em Maio de 1869, com o fim de auxiliar e apoiar as família que chegavam constantemente a assunção.

Com a morte de Francisco Solano Lopez em Março de 1870 é intensificado as ações maçônicas com o apoio dos centenas de oficiais e suboficiais maçons que compunham as forças Brasileiras. Assim neste ano é instalado o Supremo Conselho sendo o primeiro soberano grão mestre o Ir:. Juan Adrián Chaves, chefe do corpo médico da Armada Brasileira e o Ir:. Hermes Ernesto da Fonseca, Coronel do exército Brasileiro de ocupação, ambos de Grau 33. A maioria absoluta dos demais ocupantes dos cargos maçônicos do Supremo Conselho Paraguaio eram comandantes e oficiais dos navios brasileiros.

Em seguida foram instalada as lojas “Fraternidad Masonica”, “Asilo a la Virtud” e “Fé e Lavoro” que juntamente com a loja “FÉ” completavam quatro entidades maçônicas na capital. Ainda em Humaitá, povoado no sul do Paraguai e ícone para os oficiais brasileiros (Visto que a fortaleza de Humaitá foi a grande responsável por ter retardado todo o avanço das tropas da tríplice aliança), foram fundados as lojas “Esperanza”, “Caridad” e “Amor a la Virtud”

Ainda na gestão de intervenção Brasileira no Paraguai surgiram no povoado de Cerrito, ilha que foi do Paraguay e atualmente é da republica Argentina, na conjunção do Rio Paraguai, foi criada a loja “Cruz” que posteriormente ao termino da intervenção foi transladada para o Mato Grosso sobre outro nome. Em 1876, no mês de Julho, a loja “FÉ”, passou a ser loja capitular. Neste mesmo ano terminou-se a ocupação Paraguaia e as forças e maçons Brasileiros e Argentinos abandonaram as lojas maçônicas do país, onde algumas baixaram colunas.

Após 1876, é estabelecido novamente na capital algumas lojas sobre o auspícios do Grande oriente unido do Brasil e outras debaixo do Supremo Conselho do Uruguay, dentre outras independentes pertencentes ao Supremo Conselho do Grau 33, que em 3 de Janeiro 1897 vieram a se reunir sobre a

A:.R:.L:.S:. União e Silêncio Nº 1582

gestão do Supremo Conselho do Paraguai, subordinado ao Supremo conselho do R:.E:.A:.A da republica Oriental do Uruguai, pertencente a confederação das Potências Maçônicas Escocesas.

É impressionante o impulso que a Maçonaria ganha no período pós Guerra do Paraguai. A influência dos maçons Argentinos com ideais republicanos assim como a presença honrosa e a dedicação dos negros que alcançaram a liberdade para a guerra passaram a influenciar e retificar toda a visão da maçonaria Brasileira, presente e atuante nas lojas Paraguaias. Com o retono dos IIr:. combatentes as ideias de Gonçalves Ledo e do Grande Oriente do Brasil passaram a fazer mais sentido. As questões da Abolição e Republica passam a ser mais amplamente discutidas e difundidas nas colunas, em vozes ativas como as do Ir:. Benjamin Constant Botelho de Magalhães, Ir:. Francisco Gê Acaiaba Montezuma, Ir:. Quintino Boacaiúva, Ir:. André Rebouças dentre centenas de outros líderes e militares maçons que passariam a atuar nos anos vindouros.

 

Por Hélio Leite

 

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar

 
Livro Banquete Maçônico
Banner
Visitantes Online
Nós temos 34 visitantes online
Twitter

Nos siga no Twitter

Idiomas / Language
English French German Spain Italian
Dutch Russian Portuguese Japanese Korean Arabic Chinese Simplified
Publicidade
Banner
Banner
Banner
Banner