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ALGUMA DAS CAUSAS DA POBREZA DO NORDESTE PDF Imprimir E-mail
Seg, 01 de Fevereiro de 2010 13:57

ALGUMA DAS CAUSAS DA POBREZA DO NORDESTE

Helio P. Leite

01.02.2010

As regiões pobres exercem baixa capacidade de atração aos empreendimentos dos setores de transformação e de serviços devido ao reduzido poder de compra a que está submetida a grande maioria das populações residentes. Como os setores de transformação e de serviços exigem nível de qualificação de mão de obra mais refinado, o excedente de força de trabalho que migra das áreas rurais para as áreas urbanas das cidades de médio e grande portes tem dificuldade de encontrar alocação nos trabalhos que aí são oferecidos. Assim as atividades agrícolas ainda desempenham grande papel econômico e social para a região Nordeste, tendo em vista que, se for promovido o desenvolvimento rural, estarão sendo criados os instrumentos que viabilizarão a permanência voluntária das famílias nas zonas rurais da região. Um fator complicador para a produção agrícola no Nordeste, sobretudo nos biomas do semi-árido, que ocupam mais da metade do território da região, é a irregularidade, temporal e espacial, das precipitações de chuvas, além da prevalência de solos frequentemente de aptidão restrita para lavouras, decorrente, em parte, de elevada depredação da base dos recursos naturais que já é nítido em áreas extensas da região.

Nos municípios inseridos no semi-árido as dificuldades associadas à produção agropastoril se ampliam em relação às possibilidades que têm as demais áreas do Nordeste, que apresentam outros níveis de dificuldades, como o atraso tecnológico. Por causa das dificuldades associadas aos regimes pluviométricos que se concentram em poucos meses do ano, em que há intermitência anual de escassez pluviométrica, torna-se mais difícil a vida nessas áreas. Desenhar ações que viabilizem a convivência com a escassez hídrica se constitui no grande desafio para quem toma decisões políticas que objetivam a busca do bem-estar social e econômico das populações residentes no Nordeste em geral, e no semiárido em particular. Vale ressaltar que parte dos problemas advindos da escassez de produção e de capacidade de sustentação da vida animal e vegetal, nessas áreas, decorre da ação humana, e constitui, a um só tempo, causa e consequência da pobreza rural.

A existência de grandes áreas de onde é retirada a cobertura vegetal natural para a inserção de pastagens ou de culturas exóticas e não adaptadas ao ambiente, também pode desencadear um processo inadequado de utilização do recurso natural solo, que também tende a exauri-lo de forma acelerada. Uma das consequências previsíveis dessa sinergia de ações será o desaparecimento gradativo dos corpos aquáticos naturais de superfície.

Tomando o Ceará como estudo de caso para a região, tendo em vista que é o estado com o maior percentual de área dentro do semi-árido, observa-se que. entre 1947 e 2008, a média da precipitação de chuvas foi de 869 milímetros, com amplitude variando de 309 a 1.888 milímetros. Naquele período, a produção agregada de alimentos, que é predominantemente realizada pelos agricultores familiares, oscilou de 406 mil toneladas a 1,44 mil toneladas. A produção diária per capita de alimentos foi de 840 gramas, mas oscilou entre 250 gramas e 1.840 gramas. Portanto, as atividades agrícolas, que não utilizam tecnologias que independem ou dependem menos do regime pluviométrico, têm riscos muito grandes no estado e, por extensão, na região Nordeste.

Acrescentem-se às condições naturais extremamente difíceis para boa parte dos nordestinos, as dificuldades de terem terras em tamanho e fertilidade adequados à capacidade de sustentação das famílias, tanto de um ponto de vista de produção da segurança alimentar, quanto de fomentar ocupação durante todo o ano e geração de renda monetária. Essas dificuldades induzem os agricultores familiares a práticas agrícolas que exaurem o solo e outros recursos naturais, por absoluta falta de alternativas. Essa sinergia de eventos provoca degradação e empobrecimento dos recursos naturais e das famílias que se tornam assim potenciais emigrantes.

Forma-se, assim, um ciclo de pobreza que é difícil, mas que precisa ser rompido com tecnologias adaptadas e adequadas, com políticas públicas de acesso aos ativos produtivos e aos ativos sociais. Sem isso, continuaremos a ver nordestinos emigrando sem qualquer perspectiva de que terão algum sucesso no destino que escolheram. Saem na perspectiva de que pior não pode ficar.

José Lemos

 

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