HISTÓRIAS EM QUADRINHOS PDF Imprimir E-mail
Qua, 03 de Fevereiro de 2010 08:43

HISTÓRIAS EM QUADRINHOS

Klebber S Nascimento

03.02.2010

Há poucos dias li na “Revista Serrote” um belo artigo intitulado “Tarzan revisitado”, de autoria do escritor norte-americano Gore Vidal, que me levou de volta ao passado.

Coincidentemente, nas minhas constantes viagens pelo mundo dos “sebos” encontrei, há cerca de duas semanas, em uma loja localizada à Rua quatro, em Goiânia, uma reedição (Ed. Brasil-América, 1983) da primeira Revista “Tarzan” (originariamente publicada nos Estados Unidos em 1914, por Edgar Rice Burroughs e pela 1ª. vez no Brasil pela Cia. Editora Nacional- Coleção Terramarear, em 1933) em ótimo estado de conservação.

Folheei com carinho aquelas páginas, para mim tão cheias de simbolismo; achei que havia me esquecido da história, do enredo da história; ledo engano, voltei a embalar-me com as aventuras do “Rei das Selvas”, voltei a ficar aterrorizado com a idéia de o futuro Tarzan ser criado pela macaca Kala, depois, o longo período de aprendizagem entre os seus novos “irmãos” até tornar-se o líder, inconteste, das selvas, até encontrar-se com Jane, com quem foi feliz!

Aproveitei o embalo e viajei nas asas das lembranças até o lugarejo de Gaspar Lopes, onde nasci; revisitei nosso barzinho localizado na plataforma da estação ferroviária da Rede Mineira de Viação, sentei-me em um tamborete que havia sido adrede colocado pelo meu amigo Servinho Tutu, meu companheiro na venda de café com leite, biscoitos e bolos aos passageiros que desembarcavam ou que, simplesmente, desciam dos vagões para “esticar as pernas”.

Fui alertado pelo Servinho que estava quase na hora do trem partir e ainda não tínhamos levado a merenda para o Galdino, chefe do vagão do correio; levantei-me incontinente e fui fazer a troca: merenda em troca de revistas em quadrinhos.

Levávamos vantagem nesta troca, Galdino sempre nos abastecia com quantidade suficiente de revistas para entreter-nos por uma semana, quando ele voltava e repetíamos o mesmo procedimento.

O trem partia e ficávamos com o estoque de revistas em quadrinhos que nos foram presenteadas; era de dar inveja para qualquer garoto da comunidade, desde o Capitão Marvel, Mandrake, Zorro, até as inesquecíveis aventuras de Tarzan.

Interessante o fascínio que estas publicações despertavam nas crianças da nossa geração (anos de 1940, inicio de 1950); hoje as atenções dos meus netos estão dirigidas, segundo me parece, para outros alvos; as proezas de Johnny Weissmuller, pulando de árvore em árvore, imitando, no cinema, os voos de Tarzan, já não são consideradas como capazes de instigar o espírito de aventura presente em todo imaginário das crianças.

Mostrei para um dos meus netos a citada revista que encontrei no “sebo”, esclarecendo, de antemão, ser aquela a primeira da série de mais de vinte que foram publicadas sobre o assunto; fiquei um pouco frustrado, não me pareceu que o assunto sensibilizasse sua curiosidade.

Prometeu-me lê-la depois, agora tinha marcado uma partida de vídeo game com os outros primos; encontrei “o meu Tarzan” alguns dias mais tarde, debaixo de uma pilha de revistas.

Mudei eu ou o tempo passou e não vi?

Daqui de onde estou, na varanda da biblioteca da Santa Tereza, consigo visualizar dois soberbos pés de angicos que plantei há muitos anos, na baixada do terreno que vai ao encontro da represa.

Consigo ver, sem nenhum esforço visual, a casa de madeira que mandei construir, ancorada na forquilha de dois galhos; vejo, também, a “ponte pênsil” que liga esta casa a outro frondoso pé de angico.

“Sentei-me” no banco localizado na sua varanda, fiquei perto dos ninhos e dos locais de pouso dos passarinhos, descortinei o horizonte que a altura me permitia ver, procurei os proprietários da casa e não os encontrei; eles, os meus netos, também não se interessaram pelas minhas antigas aventuras.

Voltei ao meu dia de hoje e constato que o trem da Rede Mineira de Viação fez sua última viagem há muitos anos e levou de arrastão as ilusões de um tempo que não volta mais!

Ficou a lição: Não se arrisque a voltar ao passado se não estiver bem seguro dos riscos que neste caminho irá enfrentar; volte consciente de que a marcha do tempo é irrecorrível, aquela imagem guardada na retina pode ter sofrido deformação e não conseguirá focá-la de acordo com a sua expectativa.

Volte devagar, pé ante pé, pise o chão com cautela, não procure encontrar antigas “margaridas” e “onze horas”; elas murcharam e não foram replantadas.

Hélio Moreira

Academia Goiana de Letras

Instituto Histórico e Geográfico de Goiás

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www.heliomoreirablogspot.com

 

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