Home Política, Economia e Direito PIB BRASILEIRO PERDE DOIS PONTOS POR CAUSA DO EFEITO IMPORTAÇÃO
PIB BRASILEIRO PERDE DOIS PONTOS POR CAUSA DO EFEITO IMPORTAÇÃO PDF Imprimir E-mail
Qui, 11 de Março de 2010 10:41

PIB BRASILEIRO PERDE DOIS PONTOS POR CAUSA DO EFEITO IMPORTAÇÃO

PIB brasileiro perderá pelo menos dois pontos percentuais em 2010 por causa do efeito importação. Necessidade de atender ao aumento do consumo no período de forte expansão obrigará o país a comprar mais lá fora. Não fosse isso, o crescimento deste ano poderia bater em 8%

Helio P. Leite

11.03.2010

O forte aumento das importações, reflexo do aquecimento do consumo, fará com que o setor externo tire pelo menos dois pontos percentuais do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010. Ou seja, em vez de o país crescer 5,8%, como projeta o Banco Central, ou 6%, como estimam os bancos Itaú Unibanco e ING, o resultado final seria de 7,8% ou 8% se os cálculos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) considerassem apenas o que se denomina demanda agregada interna e não contabilizassem a diferença entre as importações e as exportações de bens e serviços.

Na linguagem do mercado, essa “perda” de até dois pontos percentuais do PIB se chama vazamento externo. Ela acontece, normalmente, em períodos de substancial crescimento econômico, como o atual. Para atender ao consumo das famílias, de empresas e do governo, o país tem que importar muito, e as compras acabam registrando avanço maior do que as exportações, que estão prejudicadas por causa do fraco desempenho das economias mais ricas do planeta. Pelas contas do BC, as importações deverão aumentar 21,43% neste ano e as vendas ao exterior, 11%. É essa diferença que vai “comer” uma parte do resultado final do PIB neste ano.

Em 2009, com a economia ainda se restabelecendo dos estragos provocados pela crise mundial, aconteceu exatamente o contrário: o setor externo jogou a favor do PIB. Pelos cálculos da economista Luíza Rodrigues, do Banco Santander, a contribuição foi positiva em 0,4 ponto percentual — o número oficial será conhecido hoje, quando o IBGE divulgar os resultados do PIB do quarto trimestre e de todo o ano passado. “Nas nossas contas, o PIB caiu 0,2%, número que seria pior se a contribuição do setor externo não tivesse sido positiva”, afirmou.

Dependência

A economista-chefe do Banco ING, Zeina Latif, lembrou que, nos últimos anos, quando o Brasil retomou o fôlego do crescimento, com taxa média anual de expansão superior a 4%, houve “vazamento externo” do PIB. “Isso aconteceu porque o mundo passou a financiar o excesso de consumo do país, seja por meio das importações, ou pelo pagamento de serviços, como aluguel de equipamentos. Isso é comum em países de economia emergente, como o Brasil”, disse.

O problema, a seu ver, é esse quadro de excesso de consumo continuar por um longo período e os investidores que hoje financiam o Brasil deixaram de fazê-lo. “Nada pode ser exagerado. Uma demanda forte demais, com contas externas deficitárias, pode levar à alta do dólar e, por tabela, da inflação. Nenhum investidor gosta de bancar esse tipo de economia por muito tempo. Sabe que, em algum momento, alguma coisa dará errado”, assinalou. Por isso, ela recomenda que o primeiro a botar o pé no freio do consumo deveria ser o governo, criando uma poupança interna suficiente para bancar o crescimento sem pressões inflacionárias e sem dependência extrema do capital estrangeiro.

Zeina lembrou que os quase dois pontos que o setor externo tirará do PIB em 2010 têm o lado positivo de as importações estarem sendo puxadas por bens de capital — máquinas e equipamentos. “São as empresas investindo na ampliação de suas fábricas, que vão resultar no aumento da oferta de produtos”, assinalou. “Também não podemos esquecer que o Brasil está em uma situação mais confortável financeiramente, pois é credor internacional, com reservas cambiais superiores a US$ 240 bilhões.”

Robustez

Apesar de todas as apostas do mercado serem de queda em torno de 0,2% do PIB em 2009, o economista Aurélio Bicalho, do Itaú Unibanco, ressaltou que esse resultado deve ser comemorado, pois, pelo terceiro ano consecutivo, o Brasil terá desempenho melhor do que o mundo, que, pelos seus cálculos, teve contração de 1,1%. Segundo ele, a última vez em que o país registrou um período tão longo do crescimento superior à média mundial foi entre 1993 e 1995. Para o quarto trimestre de 2009, especificamente, Bicalho prevê expansão de 2% para o PIB ante os três meses imediatamente anteriores, o que mostra que o Brasil saiu rapidamente da crise e passou a crescer a taxas muito robustas — anualizados, os 2% representam avanço de 8%.

Vicente Nunes

 

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar

 
Livro Banquete Maçônico
Banner
Visitantes Online
Nós temos 34 visitantes online
Twitter

Nos siga no Twitter

Idiomas / Language
English French German Spain Italian
Dutch Russian Portuguese Japanese Korean Arabic Chinese Simplified
Publicidade
Banner
Banner
Banner
Banner