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Ter, 18 de Maio de 2010 16:48

DESDE A MARCHA PARA O OESTE DA ERA VARGAS, O CENTRO-OESTE VEM SENDO OCUPADO PONTUALMENTE

Helio P. Leite

18.05.2010

Há algum tempo, defendemos a necessidade de criar formalmente a Área Metropolitana de Brasília (AMB). Ela seria constituída pela capital e pelos municípios goianos limítrofes ao Distrito Federal (DF). A proximidade desses centros, externos ao DF, gera fluxos diários em direção a Brasília, importantes para definir a metrópole brasiliense. A área vizinha acompanha e faz parte da estruturação da metrópole. Povoado o DF, a população interessou-se em adquirir habitação ou lote nessa área. Loteadores reproduziram nela o “modelo” de urbanização polinucleada da capital, em núcleos esparsos no território de antigas fazendas de Goiás. A geografia urbana, lá e cá, evidencia uma cidade conjugada funcionalmente — espaço siamês. Hoje, exigem-se estratégias para efetivar/dinamizar outro ente em território mais amplo que a AMB, ou seja, a Região Metropolitana de Brasília (RMB). Regiões metropolitanas são territórios amplos, delimitados para ações concretas ou intervenções estatais, como a Região Integrada de Desenvolvimento (RIDE) — que ainda não apresentou resultados e deve ser revista. No mapa regional, a atuação do Estado serve para incrementar projetos ou programas para o desenvolvimento urbano, agrário e rural, ou mesmo para a preservação de territórios para usos futuros, as reservas ambientais. Essas, modernamente, se prendem a biomas, onde complexos vegetais, animais e do aquífero merecem esforços de preservação com as áreas de proteção ambiental (Apas).

Desde a Marcha para o Oeste da Era Vargas, o Centro-Oeste vem sendo ocupado pontualmente. A colonização ocorreu na macrorregião com lotes vendidos a compradores do Sul. Os colonos buscaram as “terras novas” em várzeas e vales férteis. A partir dos anos 1980, grandes áreas se formaram com o agronegócio, em que predominaram plantações de soja e criação de gado, ambas tornando-se importantes para as exportações brasileiras, ou seja, assumem um terço do PIB nacional. Efeitos dessas atividades agrícolas foram as fortunas surgidas e a valorização das terras da região. Essas atividades materializaram o ideário da Marcha para o Oeste de povoar (e desflorestar) terras ainda em ser. Isso se deu na fímbria da floresta Amazônica — em Mato Grosso e no bioma cerrado em Goiás, oeste de Minas e da Bahia. Disseminaram-se vilas e cidades na região.

O desbravamento ocasionou efeitos danosos à natureza e ao ambiente urbano, sobretudo pela ocupação sem controle. Com o reduzido freio à devastação, a pecuária e a agricultura extensiva ocasionaram perdas dificilmente recuperáveis do cerrado e da floresta amazônica. Imagens de satélite mostram manchas do desflorestamento, seguido de queimadas criminosas que, em certos períodos do ano, tornam irrespirável o ar nas áreas afetadas. Surgem voçorocas — as temidas erosões que levam o melhor da terra para os rios. Ademais, pequenas cidades incharam em razão da migração em busca do eldorado, que não aconteceu para muitos, frustrando os aventureiros.

Brasília não foi excluída desse movimento em busca de melhores condições de vida. Contudo, a ação do Estado, em termos da Região Metropolitana, foi pequena, quase imperceptível. Internamente ao DF, sucessivos governos criaram assentamentos — as cidades-satélites —, lugares destinados primordialmente à moradia. As diversas etapas de crescimento urbano não contaram com atividades capazes de acolher a massa trabalhadora nessas localidades. O mesmo ocorreu na escala metropolitana e regional, em que a migração diária é centrípeta, isto é, todos os deslocamentos se dirigem aos postos de trabalho e procura de serviços de melhor qualidade localizados no Plano Piloto de Brasília. O ir e vir é constante, torna-se pesado.

Com isso, vemos como importante para a geografia de Brasília, da AMB e da RMB que se descentralizem as atividades, inclusive as industriais, em direção aos anéis externos da capital. Na questão regional e metropolitana, os governos de Goiás e do DF devem, urgentemente, somar esforços para equacionar problemas agigantados por um continuado investimento em pontos, de forma parcelar e atendendo o apetite da especulação imobiliária. Essa, se não for freada, pode levar ao esgotamento dos espaços habitáveis. A gestão do território deverá considerar o ambiente natural, fauna, flora e os mananciais de água potável, importantes para a qualidade de vida urbana e regional, na atualidade, mas com o olhar no futuro.

Aldo Paviani

 

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