O TEMPLO MAÇÔNICO Imprimir E-mail
Dom, 06 de Junho de 2010 09:28

O TEMPLO MAÇÔNICO

Helio P. Leite

06.06.2010

Desde que o ser humano aprendeu a reconhecer a existência de um Ser Supremo, que lhe deu origem e vida e que condiciona, orienta e comanda, os seres que criou, ele também aprendeu a respeitar esta divindade, ao tentar interpretar as suas manifestações e a exteriorizar os seus sentimentos sob a forma de credos mais ou menos complexos. Para isso, locais especiais, preparados de forma adequada e adornados de acordo com o grau de desenvolvimento dos povos, foram e são utilizados para as práticas religiosas ou sagradas. Estes locais sempre foram cercados de cuidados, como a segurança contra animais selvagens ou indivíduos estranhos e ameaçadores e intempéries. Aos poucos, estes templos foram adquirindo características místicas, de acordo com o grau evolutivo da cultura que os construía e, para seu serviço, foram sendo treinados homens e mulheres, que transmitiam os ofícios litúrgicos de geração em geração, por processos iniciáticos ou pela prática continuada dos mistérios. O pessoal permanente a seu serviço foram e são os sacerdotes e sacerdotisas, que receberam, pelos séculos afora, inúmeras denominações diferentes, variando com a época e a civilização.

Um templo apresenta, em geral, uma distribuição interna do espaço, de acordo com a seita, ordem o religião a que serve. Alguns desses espaços são comuns à maioria dos templos, podendo-se citar:

. Local onde a divindade se manifesta. Normalmente é um altar de pedra ou madeira, colocado em um ponto proeminente e bem visível, destacando-se no conjunto arquitetônico da construção. Ao seu lado ou em suas imediações, ficam os altares menores, onde as divindades secundárias são cuidadas.

. Concentração dos fiéis. Este espaço tem razoável amplitude,devendo comportar a totalidade dos fiéis ou, pelo menos, a sua maioria. Possui aberturas para o exterior, não raro guardadas por animais selvagens ou seres mitológicos. Na sua face externa, os templos costumam apresentar alegorias simbólicas que transmitem aos fiéis as idéias principais do Rito.

. Praça ou altar dos sacrifícios. É aqui que o Rito pratica seu ofertório sacrificial, seja ele realmente um sacrifício de uma vida humana ou de um animal, seja por meio da teatralização desses atos. A sublimação dos atos sacrificiais levou à adoção das lendas que culminam com a morte e a ressurrreição de um ser humano ou de um animal alegórico. Estas teatralizações costumam ser interpretadas, também, no espaço sacrificial do templo.

. Locais de iniciação de sacerdotes ou adeptos. Costumam ser reservados espaços específicos, dentro ou fora do templo, para a realização dos atos litúrgicos referentes às iniciações ou aceitação pessoal que se dedicará ao serviço do Rito ou do Templo. Aí estão depositados os materiais iniciáticos, os altares ou tronos específicos. As câmaras de expiação etc.

Alem dessas características, os templos costumam ostentar ornamentos diversos, de acordo com a filosofia que orienta a seita, ordem ou religião que o utiliza. Estes ornamentos normalmente encerram significados simbólicos, que servem para preservar os ensinamentos contra as mutações semânticas da língua predominante entre os adeptos, garantindo a sua perpetuidade.

A Maçonaria utiliza templos para a prática de sua liturgia. O templo maçônico inspira-se nos relatos bíblicos sobre a construção do Templo de Salomão, associados às praticas e lendas cristãs da Idade Média e conhecimentos ocultistas derivados de antigas ordens iniciáticas, como a Ordem Rosacruz, os Templários, os Carbonários etc.

No templo maçônico, o local destinado aos sacrifícios não existe como tal, tendo sido sublimado em seu significado e associação ao altar do Venerável Mestre. Realmente, é ali que o Iniciado é submetido à prova de coragem, ao decidir-se por provar o conteúdo da Taça Sagrada, arrostando o perigo de ser envenenado. Mesmo esta passagem da Iniciação já possui outra interpretação simbólica, uma vez que a Maçonaria atribui valores especiais para cada um dos símbolos iniciáticos.

O templo maçônico é, por si mesmo, um símbolo múltiplo. Constituido por uma construção retangular, com uma única porta de acesso ao seu interior, situada no lado oeste (ainda que só figuradamente), ele representa o ser humano integral, centro do qual devem ser desenvolvidas e aprimoradas as qualidades consideradas pela filosofia maçônica como indispensáveis para o atingimento da perfeição. Se o homem é um templo, e se os templos são os locais de manifestação e adoração ao Grande Arquiteto do Universo constitui-se dever do homem buscar, em si mesmo, as manifestações divinas que o tornam um ser ímpar na natureza, ele que tem consciência do que dever ser e o que deve fazer para o ser.

De acordo com outras interpretação, o templo maçônico é o símbolo do universo, pois Deus ocupa todo o espaço e todo o tempo universais e, manifestando-se ali, inconsutimente, Ele reproduz o macrocosmo em um microcosmo, segundo a máxima hermética: “Assim como é em cima, é embaixo”. Por esta razão, sendo o templo a representação do universo (por isso mesmo, ele é a “casa de Deus”), suas dimensões são, figurativamente, para a Maçonaria:

. comprimento: do Oriente ao Ocidente;

. largura: de Norte a Sul;

. profundidade: da superfície da Terra ao Nadir(Zenite) ou da superfície ao centro da Terra.

O templo é o local que, consagrado ao aperfeiçoamento das qualidades essenciais dos maçons, concentra as suas energias psíquica durante as sessões, auxilia e propicia a meditação e a adoração ao Grande Arquiteto do Universo, facilita o entendimento das grandes verdades contidas na filosofia maçônica e inspira a adoção de posturas sociais e pessoais favoráveis ao entendimento e á fraternidade.

O templo maçônico tem a forma de um quadrilongo ou retângulo e se divide, internamente, em dois espaços, separados por uma balaustrada: O Oriente, de onde nasce a luz para os maçons; e o Ocidente, de onde chegam os maçons em busca da luz. No Oriente, tem lugar o Venerável Mestre e os maçons que, por dever de ofício, direito honorífico ou convite específico, ali se colocam durante as sessões. No Ocidente ficam os outros obreiros presentes à sessão. A balaustrada que separa o Oriente do Ocidente é o símbolo da razão, que limita o ser humano à sua consciência.

O templo é decorado com ornamentos e revestido de paramentos e jóias. Os ornamentos são: o pavimento mosaico, a orla dentada e a corda de oitenta um nós. Os paramentos são o Livro da Lei, o Esquadro e o Compasso. As jóias fixas são: a Prancheta d Loja, a Pedra Bruta e a pedra Polida. As jóias móveis são: o Esquadro, o Prumo e o Nível. O interior do templo conta ainda com doze colunas zodiacais, as quais são colocadas nas laterais do templo, simbolizando a passagem do sol na enclítica – ou a luz que todos os maçons recebem no interior do templo (cada maçom possui um signo zodiacal, o que justifica a presença desta alegoria).

No Oriente, há quatro altares, a saber: do Venerável Mestre, do Orador, do Secretário e dos perfumes. Completam a decoração, o estandarte da Loja, o estandarte da Potência Maçônica e a Bandeira do Brasil. No Ocidente existem cinco altares: 1º Vigilante, 2º Vigilante, Tesoureiro, Chanceler e o Ara.

O Ara é colocado sobre o pavimento mosaico, assinalado pelas três colunas e cercado pela orla dentada. Ao redor do templo, suspensa nas paredes, estende-se uma corda de oitenta e um nó, que termina em duas borlas colocadas uma de cada lado da porta.

No lado externo do templo, de cada lado da porta de entrada, colocam-se duas colunas: J e B. A ante-sala do templo se chama átrio e deve ser preservada das atividades profanas, tais como fumar, conversar etc. É no átrio que se coloca o Guardião ou Cobridor Interno do templo e onde se forma o cortejo que deve preceder as sessões. Ao Átrio dá acesso uma porta, ligada a outra sala, que corresponde a uma sala de espera. Chama-se essa sala, a Sala dos Passos Perdidos e é nela que os maçons se revestem de suas insígnias e se preparam para as sessões.

É no interior desse recinto sagrado que a Maçonaria desenvolver as forças com que procura erguer templos à Virtude e cavar masmorras ao Vício. Por isso, os Maçons respeitam esse lugar, guardando o máximo de silêncio e adotando as posturas recomendadas para a obtenção das condições essenciais para a formação de uma junção ou egrégora forte com os Irmãos da Grande Fraternidade Branca, cuja inspiração e iluminação se constituem em inestimável fonte de graças e benefícios para os Obreiros.

Irmão José Prudêncio Pinto de Sá

 

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