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A FESTA JUNINHA É DE ORIGEM PAGÃ, QUE CELEBRAVA A COLHEITA DOS ALIMENTOS PDF Imprimir E-mail
Sáb, 12 de Junho de 2010 12:32

A FESTA JUNINA É DE ORIGEM PAGÃ, QUE CELEBRAVA A COLHEITA DOS ALIMENTOS

Helio P. Leite

12.06.2010

Surgidas na Europa para celebrar as colheitas do meio do ano e depois incorporadas pela Igreja Católica, as festas juninas foram trazidas ao Brasil pelos portugueses. Até hoje, reúnem as pessoas ao redor de fartas mesas, repletas de quitutes deliciosos

A festa junina chegou ao Brasil nas caravelas portuguesas que ancoraram por aqui há 510 anos. Porém, a comemoração só se tornou o animado são-joão brasileiro depois de muita influência dos diferentes povos que ajudaram a construir o país. Mistura visível na infinidade de quitutes que fazem sucesso nessa época do ano. Da tradicional pamonha, passando pelo cuscuz nordestino e pelo arroz carreteiro sulista, não faltam opções criativas para os festejos. Afinal de contas, França, Portugal e Espanha podem até ter suas festas juninas, mas é improvável que os europeus tenham tanto sabor para festejar.

Ao contrário do que muitos imaginam, as comemorações de junho não têm origem cristã. “É uma festa pagã e muito popular, que celebra a colheita dos alimentos. Esse tipo de evento é fundamental, pois é quando as pessoas agradecem o que há de mais importante: a boa comida”, explica o professor Ricardo Maranhão, doutor em história e coordenador do Centro de Pesquisas em Gastronomia Brasileira da Universidade Anhembi, em São Paulo. Quando os padres católicos europeus decidiram incorporar a festa junina ao calendário cristão, escolheram São João porque era o santo com o dia (24 de junho) mais próximo ao solstício de verão, que, no Hemisfério Norte, ocorre em 21 de junho e era celebrado nas festas pagãs (leia Para saber mais).

No Brasil, o alimento que está em evidência nessa época do ano é o milho, uma vez que o auge da colheita do grão ocorre em maio. “Entre tantas opções deliciosas no cardápio, podemos destacar a canjica de milho branco, o curau, o milho cozido ou assado e a pamonha”, aponta a professora Fabiana Nalon, mestre em nutrição humana e professora de história da alimentação do Centro Universitário Unieuro. Além da culinária tradicional, as festas também incorporaram pratos regionais. No Sul, por exemplo, é costume comer pinhão e arroz carreteiro. Já no Nordeste, é servido o xerém com galinha cozida, o cuscuz com bode e a favada. “No Centro-Oeste, é comum a galinhada e o mané-pelado, bolo feito com mandioca”, diz Fabiana.

Outros pratos típicos se adequaram ao cardápio junino a partir de influências estrangeiras. Ricardo Maranhão destaca os assados, comuns em festas do Sul e do Sudeste. “Em muitos lugares, há o peru, o frango e a leitoa assada. Há, inclusive, o costume de leiloar o leitão e doar o dinheiro arrecadado à igreja”, diz o professor. O quentão também é uma adaptação estrangeira. Em países frios, o povo adota o grog (bebida alcoólica quente), feito com bebidas de cada local — vinho, conhaque, entre outras. No Brasil, o quentão é preparado com a nacionalíssima cachaça e especiarias como gengibre e canela.

A sempre generosa cultura brasileira ainda abre espaço para alimentos que não têm nenhuma origem particular, mas que conquistam apreciadores nesse período do ano. “É o caso do cachorro-quente, do churrasquinho, do chocolate quente e da maçã-do-amor, todos bastante difundidos nos cardápios juninos”, comenta a professora Fabiana. Muitas vezes, determinado prato acaba conhecido em todo o país, mas recebe um nome diferente em cada local. No Nordeste, por exemplo, a canjica de milho branco se chama mungunzá e o curau, esse sim, lá vira canjica. Outro exemplo é a paçoca: no Sudeste, é a paçoquinha doce. Já no Nordeste, a paçoca de pilão tradicional é uma farofa de carne-seca.

Para todos os gostos
Com tanta flexibilidade culinária, é possível, ainda, montar um cardápio que contemple pratos nem tão juninos assim. No restaurante Severina, na 201 Sul, especializado em comida nordestina, o cliente pode incorporar ao menu junino receitas como a do escondidinho de carne seca, a do baião de dois por dois e a do cuscuz com coco ralado. A casa funciona todos os dias para almoço e, à noite, o espaço pode ser alugado para festas.

Patrícia Machado Linhares, que cuida do Severina com a mãe, Irany Lopes Machado, conta que o restaurante fica muito mais movimentado em junho. No entanto, é possível provar as delícias juninas da casa o ano inteiro, uma vez que o cardápio para festas é montado a gosto do cliente. “Brasília concentra uma enorme quantidade de nordestinos. Fora dessa época, oferecemos os quitutes juninos, até porque alguns deles já são presentes na mesa nordestina”, diz Patrícia.

Outra opção na cidade é a Casa dos Biscoitos Mineiros, que tem receitas que respeitam os sabores tradicionais juninos. No menu especial, há quitutes como o curau, o arroz-doce, a cocada e o caldo-verde. Há espaço também para os regionais empadão goiano e coxinha caipira. A casa (106 Sul e 210 Norte) espera um aumento de 15% nas encomendas até o fim do mês. Márcia Teixeira, uma das fundadoras da Biscoitos Mineiros, afirma que o segredo das receitas é o preparo em pequenas quantidades. “Além disso, os ingredientes precisam ser bem selecionados”, revela a proprietária, que abriu a confeitaria com a mãe, a biscoiteira Maria Madalena Teixeira, em 1996.

Mas, como muitas festas juninas funcionam no esquema “colaborativo” — onde cada convidado leva um prato —, a professora Fabiana Nalon dá algumas dicas para a preparação dos alimentos. Além de higienizar utensílios e bancadas, ela recomenda que os pratos sejam feitos um de cada vez. “Comidas com carne devem ser preparadas na hora e devem ser servidas bem quentes, nunca mornas ou em temperatura ambiente. Os caldos e a canjica podem ser preparados com antecedência, mas devem ser guardados na geladeira e, na hora de esquentar, é preciso esperar ferver”, diz.

Bolos preparados no dia são mais saborosos, mas podem ser feitos na véspera. Os mais molhados, como o de mandioca, estragam mais rápido do que os bolos mais secos. Já alimentos como pé de moleque, paçoca e os tradicionais doces de abóbora em pedaços possuem boa durabilidade e podem ser comprados prontos.

Carolina Vicentin

 

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