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CIRO GOMES, O ANTIGO ARROGANTE, AJOELHOU-SE DIANTE DA SEM CINTURA DILMA ROUSSEFF. SÓ FALTOU A FOTO
De olho em uma corrida eleitoral complicada para seu irmão no Ceará, Ciro engole o afastamento da disputa presidencial e entra em acordo com Dilma. O saldo do encontro, porém, evidencia arestas a aparar
Helio P. Leite
30.07.2010
A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, e o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) selaram um acordo para coletar os cacos de uma aliança estremecida de olho em interesses eleitorais mútuos. O almoço de confraternização acabou por expor a falta de jogo de cintura de uma e a arrogância do outro.
Dilma tinha como meta evitar que Ciro Gomes passasse longe de sua campanha presidencial por um inconformismo em relação à opção do PSB em não disputar o Palácio do Planalto e apoiar a petista. Ciro gostaria que Lula fizesse campanha aberta pela reeleição do irmão, o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB). A aproximação excluiu imprevistos e tornou-se benéfica para ambos.
O encontro, como disse a candidata petista, não serviu para fazer negociação de varejo político. “Não fizemos uma conversa concreta sobre itens. Ele vai participar intensamente lá das campanhas do Ceará, a minha e a do Cid. Sempre que precisar, vou poder contar com ele”, afirmou a petista. “Dei a ele absoluta liberdade para fazer o que ele quiser. Não exijo nada, não peço nada”, afirmou a petista. Nos bastidores, há uma negociação para levar Lula e Dilma a duas visitas ao estado em agosto e setembro para se engajarem na reeleição do governador. Essa proposta foi levada por petistas aos irmãos Gomes, que a aprovaram. O martelo sobre a intensidade da participação presidencial será batido pelo deputado Antonio Palocci (PT-SP), coordenador da campanha de Dilma, na próxima semana. O encontro foi celebrado de um lado e de outro. Ao fim do almoço, Dilma trocou abraço e beijos efusivos com seu aliado dentro do escritório, mas optou, conscientemente ou não, por deixar passar a oportunidade de aparecer na fotografia ao lado do aliado. Ela evitou encenar o ritual de praxe dos políticos: aperto de mãos e abraços na frente dos jornalistas. Ciro deixou a residência no Lago Sul onde funciona um dos escritórios da campanha petista caminhando sozinho, cercado de assessores e procurando pelo carro que o havia trazido. Entre o desinteresse com as perguntas dos jornalistas e a preocupação em se desvencilhar dos microfones, deu quatro respostas. Disse que o engajamento na campanha petista dependerá de seu humor. “À medida que as preocupações com o futuro do país vão se revelando, vou incrementando o entusiasmo (com a campanha).” Dirimiu dúvidas sobre se ele se esconderá quando a trupe eleitoral petista desembarcar no Ceará. “Você acha que, se chegar uma pessoa como a Dilma, de quem sou companheiro e admirador, deixarei de recebê-la? Em nenhuma circunstância”, sustentou. Verde Por ora, a ida de Lula e Dilma ao Ceará está longe do que se pode chamar de “madura”. Até agora, só o coordenador-geral e presidente do PT, José Eduardo Dutra, se comprometeu a participar da inauguração do comitê de Cid Gomes, prevista para a próxima sexta, em Fortaleza. A candidata do PT não prometeu se empenhar só na campanha de Cid. Ela afirmou que não recusará o apoio de Lúcio Alcântara (PR), ex-governador cearense. “A gente está fazendo campanha. Não pode ser: não sobe em um (palanque), né? Aí fica difícil. A tendência é a participação direta na rua”, afirmou. O deputado Márcio França (PSB-SP), tesoureiro do partido, comemorou a reaproximação. “Sabíamos que isso ia acontecer e é melhor que aconteça no início da campanha do que no fim”, disse. O deputado José Guimarães (PT-CE) foi na mesma linha. “Esse encontro serviu para tirar os maus olhares, o diz que me disse. O Ciro vai se dedicar completamente à campanha”, disse. LULA VOLTA A FALAR DE CAMPANHA Em evento oficial em Porto Alegre, ontem, o presidente Lula voltou a dizer que há uma tentativa de afastá-lo da corrida presidencial. “Tem gente que quer me tirar da campanha, mas tenho obrigação de participar e escolher quem será meu candidato”, afirmou, durante evento no Beira-Rio para a assinatura de contratos do PAC. À noite, Lula foi a estrela de um comício pró-Dilma na capital gaúcha.
QUATRO PERGUNTAS PARA CIRO GOMES (PSB-CE), DEPUTADO FEDERAL O senhor vai participar da campanha da Dilma? Quanto ao entusiasmo e ao nível de engajamento, à medida que as preocupações com o futuro do país vão se revelando, vou incrementando meu entusiasmo. Se a Dilma for ao Ceará, o senhor vai participar da campanha com ela? Você acha que, se chegar uma pessoa como a Dilma, de quem sou companheiro e admirador, deixarei de recebê-la? Em nenhuma circunstância. Vai gravar para o programa da Dilma? Na medida do meu entusiasmo. A decisão do PSB, de vetar sua candidatura à Presidência, foi acertada? Meu partido tem posição formada e sou disciplinado. No primeiro momento, fiquei bastante triste. Acho que foi uma posição errada. A democracia perdeu a oportunidade de ampliar o debate e a discussão. Mas, como amo a democracia, não são as opiniões individuais, por mais mérito que tenham, que devem prevalecer, mas a opinião da maioria. Sobre o meu apoio político a Dilma, nunca houve dúvida”. (TP)
Tiago Pariz
Ciro e Serra, rusga antiga Adversários na corrida presidencial de 2002, o deputado federal Ciro Gomes (PSB) e o candidato à Presidência da República pelo PSDB, José Serra, ainda brigam — na Justiça — pela troca de ofensas daquela época. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) recebeu em abril deste ano um novo processo envolvendo o parlamentar e o presidenciável. O agravo, que está no gabinete do ministro Aldir Passarinho e tem dois volumes, trata de indenização por dano moral. Outros dois processos de responsabilidade civil também estão em tramitação no tribunal. Em abril, o ministro Massami Uyeda, relator das duas ações, determinou que Ciro Gomes manifestasse se ainda tinha interesse no processo. Segundo a decisão, publicada no Diário da Justiça, os autos principais do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP), onde as ações foram originadas, já tinham sido encaminhados para o arquivo. O deputado federal, segundo o advogado Hélio Parente, optou por dar sequência na ação. Este ano, Ciro, conhecido pelo temperamento forte e pelos ataques à Serra, chegou a baixar a guarda contra o antigo desafeto. Em entrevistas, afirmou que o tucano teria mais chances de vencer a eleição do que Dilma Rousseff, candidata do PT. Segundo o socialista, Serra é “mais preparado, mais legítimo, mais capaz.” As declarações foram feitas depois de o deputado ter sido descartado pelo PSB para concorrer ao Palácio do Planalto. Sem pudores As três ações do STJ, de acordo com Parente, são relativas à campanha de 2002 e tratam de dano moral, injúria e difamação. Entre outras acusações, Ciro afirmou, na época, à Folha de S. Paulo, que seu adversário era o “candidato dos grandes negócios e das negociatas, da manipulação despudorada do espaço público, do dinheiro público para fins eleitorais.” A Justiça determinou, inclusive, o bloqueio de R$ 65,3 mil de uma conta bancária de Ciro. Segundo o advogado, todas as contas do deputado estão liberadas atualmente. A reportagem não conseguiu localizar os advogados responsáveis pela defesa de José Serra.
Alana Rizzo
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