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Seg, 22 de Novembro de 2010 16:00

TIRADENTES O GRANDE MAÇOM BRASILEIRO

Helio P. Leite

22.11.2010

TIRADENTES – JOAQUIM JOSÉ DA SILVA XAVIER

Patrono Cívico da Nação Brasileira e 1º Mártir da Maçonaria Brasileira

TIRADENTES foi Maçom?

Inicialmente vamos mostrar como era a Maçonaria no século XVIII, para que o irmão se posicione no tempo e no espaço, maçonicamente, e assim, possa melhor compreender nossa opinião.

Os Landmarks constituem-se na Lei tradicional (pétrea) como a maior riqueza da Maçonaria Universal.

Assim, é mister que se tenha em mente o que consta nesses Landmarks:

1) 6º - A prerrogativa do Grão Mestre de conceder licença para conferir graus em tempos anormais. ... O Grão Mestre, porém, tem o direito de dispensar as exigências de interstícios ritualísticos, e permitir a iniciação imediata.

2) 7º - A prerrogativa que tem o Grão Mestre da autorização, para fundar e manter Lojas. Em virtude dele, pode o Grão Mestre conceder a número suficiente de Mestres Maçons, o privilégio de se reunirem e conferirem graus, em “Lojas Licenciadas”, cujas existências devem-se, exclusivamente à graça do Grão Mestre.

3) 8º - A prerrogativa do Grão Mestre, de criar Maçons. Convocar em seu auxilio seis Mestres Maçons, formar uma Loja e, sem nenhuma prova prévia, conferir os graus aos candidatos; findo isso, dissolver a loja e despedir os irmãos. Essas Lojas, são as “Lojas Ocasionais” ou de “Emergências”.

4) 9º- A necessidade de se congregarem os maçons em Loja. Antigamente, eram essas reuniões extemporâneas, convocadas para assuntos especiais e, logo dissolvidas. Cartas Constitutivas, Regulamentos Internos, Lojas e oficinas permanentes e contribuições anuais são invenções puramente modernas, de um período relativamente recente.

A Maçonaria no século XVIII.

A Maçonaria, tanto no Brasil(colônia), quanto no resto do mundo, no decorrer século XVIII, o século das noites escuras das “trevas”, quando reinava o absolutismo em todos os países, teve que manter-se em sigilo, permanecendo, quase sempre, oculta para sobreviver às perseguições de que era vítima; principalmente, fruto do desconhecimento do que é a instituição Maçônica.

A tradição conduz a três pontos fundamentais da história da Maçonaria:

1) A crença em Deus, Grande Arquiteto do Universo (Landmark nº 19);

2)A crença em uma vida futura (Landmark nº 20) e

3) Igualdade entre os irmãos maçons(Landmark nº 22º).

Na clandestinidade, os seus ensinamentos eram transmitidos – da boca ao ouvido, como se fora uma Cadeia de União.

Através dos tempos, na Inglaterra no século XVIII ela ressurge com a Grande Loja da Inglaterra, reunindo os seus antigos escritos numa Constituição, conhecida como “As Constituições de Anderson”.

A perseguição à Maçonaria

No século XVIII a perseguição à Maçonaria pode ser esquematizada e traçada:

1 – Por motivos políticos, estados Católicos e Protestantes, proibiram a Maçonaria.

2 – Condenação espiritual da Maçonaria, pelos Papas Clemente XII e Bento XIV, com base em razões políticas e segurança do Estado.

3 – Os estados Católicos, motivados pelas Bulas e desejos dos Papas, perseguem o delito eclesiástico e castigam os Maçons, politicamente – com a morte.

A Maçonaria Brasileira

A Maçonaria Brasileira dos séculos XVIII e XIX era essencialmente política (Vermelha, Republicana).

Inicialmente os numerosos Maçons Brasileiros se reuniam em “Clubes Literários”, “Arcádias” ou “Clubes Patrióticos” pois, D. João V, em 1743, proibira sob pena de morte, a reunião das Lojas Maçônicas.

A primeira Loja brasileira foi fundada em Salvador, Bahia em 1797, por um grupo de Maçons residentes naquela cidade, numa Fragata Francesa, que se encontrava ancorada na Barra em Salvador, cujos oficiais eram Maçons. Esta foi denominada “Cavalheiros da Luz”. Em seguida foram fundadas outras Lojas, como a Loja “Virtude e Razão” e a “Luz e Labor”, etc...

A Maçonaria na Inconfidência Mineira

A presença da Maçonaria na Inconfidência(Conjura) Mineira, está muito bem assinalada na História do Brasil. Em 1789, a Maçonaria, unida, partiu para as lutas pela independência do Brasil, à custa do sacrifício da própria vida dos seus Obreiros.

Os obreiros de HIRAN, face às bulas da Igreja e ao ato proibitório de D. João V, passaram a trabalhar clandestinamente. Assim tanto os Maçons, quanto os Conjurados passaram a realizar suas reuniões ou assembléias nas casas de uns e de outros. A 1ª reunião dos Conjurados (conspiradores), aconteceu na residência do Tem. Cel. Paula Freire, em fins de 1788, e a ele se juntaram outros conspiradores, dentre os quais TIRADENTES. Os pesquisadores mineiros, Dr Sílvio Carneiro e Professora Dorália Galesso, divulgaram o resultado de pesquisa que realizaram sobre a origem da expressão “UAI” incorporada ao vocabulário quotidiano Mineiro. “Os Inconfidentes Mineiros, mas subversivos para a Coroa Portuguesa, se comunicavam através de Senha, para se protegerem. Como conspiravam em porões e sendo quase todos maçons, recebiam os companheiros com as batidas clássicas da Maçonaria, nas portas dos esconderijos. Lá de dentro, perguntavam: Quem é ?, e os de fora respondiam: UAI – as inicias de UNIÃO, AMOR e INDEPENDÊNCIA. Só mediante o uso dessa senha, palavra de passe a porta era aberta ao visitante. A Maçonaria sendo uma instituição sigilosa passou a coordenar as ações dos conspiradores. Este fato foi muito importante na cooptação e convites aos cidadãos para sua iniciação na instituição Maçônica, principalmente dentre os Conspiradores.

O Encontro de TIRADENTES com o Dr. Maciel

TIRADENTES era muito conhecido em Minas e no Rio de Janeiro, devido à sua habilidade odontológica e de tratar enfermos, e sem dúvida, devido à sua personalidade, de alguém com todas as características e ressentimentos de um revolucionário.

Em licença no Rio de Janeiro, em 1787, TIRADENTES reuniu-se com o Dr. José Álvares Maciel – Maçom, recém chegado da Europa, Padre Rolim e com o Cel. Joaquim Silvério dos Reis, e juntos elaboraram os primeiros planos da Conjura.

O Reconhecimento de TIRADENTES como “irmão”

Ao retornar a Minas em agosto de 1788, TIRADENTES apresentou-se ao Coronel Francisco de Paula Freire, cumprimentando-o, e este, que sabidamente não tinha simpatia pelo Alferes, de quem mantinha distância; mudou o tratamento completamente, quando TIRADENTES, participou-lhe que havia sido iniciado nos mistérios da instituição Maçônica, identificando-se com tal. Esta revelação foi sem dúvida reconhecida pelo Coronel Francisco de Paula Freire, maçonicamente. TIRADENTES, deve ter lhe apresentado o certificado lavrado pelo irmão Maciel. Na clandestinidade, com as Lojas fechadas, as iniciações não ocorriam na forma usual e regular, como hoje. A História Antiga da Maçonaria, revela que, na clandestinidade as Iniciações eram “Por Comunicação”, como ainda hoje há nos graus Filosóficos.

Exemplo de “Iniciação por Comunicação”

Nesta oportunidade, apresento um exemplo surpreendentemente revelador de uma Iniciação Por Comunicação, com certificado lavrado no ato, e que faz parte do registro histórico da Mui Excelsa Loja Centenária “Rocha Negra” – Diz o certificado: Certifico que, atendendo às boas qualidades e requisitos necessários, que concorrem na pessoa do Profano TOMÁS FERREIRA VALE, natural da Freguesia da Encruzilhada, Bispado do Rio de Janeiro, idade 39 anos, Religião Católica, Apostólica, Romana e em Virtude do meu Sublime Grau e dos poderes que me acho investido pelo Grande Oriente Brasileiro. O iniciei Aprendiz Maçom; devendo dar a jóia d’entrada na Loja em que se houver de filiar. Em fé do que, lhe dei o presente certificado; e para que este não possa servir senão ao dito Irmão Vale, fiz-lhe assinar seu nome à margem – Ne Varietur – Rogo portanto a todos(TT\) os caríssimos(CC\) irmãos(IIr\)o reconheçam por tal, e lhe prestem tudo quanto nos assegura nossa(N\)amada(A\) e respeitável(R\)ordem(O\). Dado no remanso da Paz, em lugar vedado às vistas dos profanos(PPf\), em São Gabriel, República Riograndense, aos três dias do 4º mês do Ano da Verdadeira(V\) Luz(L\) de 5.639.

(a)José Mariano de Matos, 18\

(a)Tomás Ferreira Vale, Aprendiz Maçom.

Como vimos, havia a preocupação para que tal ato fosse realizado no “Remanso da Paz, em lugar vedado às vistas dos profanos”, por um Mestre Maçom; como é hoje, só que, por M\I\ , devidamente autorizado pela Potência, e em Templo de Loja Regular, devidamente Constituída, e em Sessão Magna convocada para tal.

A Continuidade dos Trabalhos Maçônicos

Os Maçons, na medida que , para dar continuidade o trabalho que haviam aprendido em outras lugares, onde existiam Lojas, necessitavam fundar uma oficina Maçônica para continuar ativos – dessa forma registra-se a fundação de uma Loja:

”Fraternalmente reunidos no remanso da Paz, em lugar vedado a profanos os Maçons Regulares e competentemente munidos de seus Diplomas – resolveram trabalhar numa Loja provisória com o título distintivo “(...)”, que trabalhará no R\E\A\A\sob os auspícios do Grande Oriente Unido do Brasil, e elegeu para Venerável o Resptb\Ir\...; e para os demais cargos, os irmãos...; resolveu-se impetrar da respectiva Grande Oficina a sua regularização”. Este caso é apresentado porque, na clandestinidade, muitas Lojas foram estabelecidas em Salões de Residências, para só, muito tempo depois mudarem para Templos Maçônicos, após a sagração por um Grão Mestre. Por exemplo, em São Paulo, como existiam muitos Maçons, e não existiam Lojas, em 13/03/1832, o estudante de Direito, José Augusto Gomes de Menezes (Ir\Badaró), junto com alguns Maçons, devidamente autorizados, fundaram a Loja “Amizade” que por algum tempo, desde a fundação funcionou na residência do Ir\Badaró; podendo iniciar profanos. Somente em 04/01/1873 é que a Loja “Amizade” inaugura o seu Templo definitivo, onde está até hoje, à Rua Tabatinguera. Esta Loja Mãe tornou-se o centro da Maçonaria paulista.

TIRADENTES encontra comerciantes Luso-Brasileiros

Em 1776 – As Monarquias e Colônias estremecem sob o impacto da independência das 13 colônias inglesas na América. Nesta época, na cidade do Rio de Janeiro os comerciantes Luso-Brasileiros, Maçons João Rodrigues de Macedo e Antônio Ribeiro de Avelar, conheceram TIRADENTES; e com ele passaram a conspirar; nesta oportunidade, também encarregaram alguns estudantes Brasileiros de Coimbra – Portugal, e Montpelier – França, de fazerem contatos com representantes de potência estrangeiras.

Homenagem aos Inconfidentes Mineiros

Em Belo Horizonte, há um grande monumento na Praça Ruy Barbosa: ali estão os nomes dos condenados e do escravo Nicolau (que acompanhou Domingos de Abreu Vieira no degredo). É uma homenagem do Povo mineiro aos Inconfidentes.

Para uma melhor compreensão do irmão e leitor, farei um resumo da vida de cada Inconfidente.

MILITARES:

1) Ten. Cel. Francisco de Paula Freire de Andrada – comandante do Regimento de Cavalaria Paga(regular), em 1789 tinha 33 anos. Sua casa em Vila Rica com o tempo transformou-se no centro de reuniões intelectuais; sua casa ainda está de pé; é um sobrado em cujo segundo andar há dois salões.

2) Ten. Cel. Francisco Antônio Rebelo – Português, com 29 anos. Era Ajudante de Ordens do Governador de Minas.

3) Ten. Cel. Francisco Manoel da Silva e Mello – servia no Regimento de Artilharia do Rio de Janeiro; era amicíssimo do Alferes Tiradentes.

4) Sargento–mor Pedro Afonso Galvão de São Martinho – Português, era o Subcomandante do Regimento de Cavalaria de Minas.

5) Capitão Maximiniano de Oliveira Leite - comandante do Destacamento do Caminho do Rio de Janeiro.

6) Capitão Manoel da Silva Brandão – servia no Regimento da Vila Rica sob o comando do Tem. Cel. Paula Freire; era figura militar chave na conspiração, comandava o Destacamento sediado na Vila do Tejuco.

7) Capitão Antônio José de Araújo – aliciado por Tiradentes, teve participação discreta.

8) Capitão Manoel Joaquim de Sá Pinto do Rego Fortes – servia no Regimento de Voluntários Reais de São Paulo. Era amigo de Tiradentes a mais de sete anos.

9) Ten. José Antônio de Melo – era colega de Tiradentes no Regimento de Cavalaria de Minas.

10) Ten. Antônio Agostinho Lobo Leite Pereira – era do Regimento de Cavalaria de Minas, colega de Tiradentes.

11) Alferes Joaquim José da Silva Xavier – TIRADENTES, é o maior herói nacional, já consagrado pelo apoio popular e por lei, considerado o Protomártir, o maior dentre todos os mártires do processo brasileiro de independência. Primeiro Mártir Maçom Brasileiro, publicamente reconhecido a dar sua vida pela causa da liberdade da sua pátria. Nasceu na Fazenda do Pombal, propriedade de seu pai, situada na Vila de São João Del-Rei, em 1746. Mantinha laços de amizade com os comerciantes Antônio Ribeiro de Avelar e João Rodrigues de Macedo, em razão do papel da Sociedade Política Secreta. Em 1775, ingressa na carreira das armas, sobe rápido até o posto de Alferes, posto no qual marca passo; foi dentista e sangrador ambulante – gostava de servir aos pobres, era um filantropo.

CIVIS:

1) Tomás Antônio Gonzaga – Iniciou na Maçonaria em Portugal com o nome heróico de “Julião”, e ao chegar ao Brasil, reconheceu o pai de Marília, como “irmão” ao apertar a mão deste – como ele mesmo afirma: levei um susto, apertou-me a mão com efusão (toque). Não havia dúvidas. Olhamo-nos com cumplicidade. Éramos os dois “irmãos”,duas sentinelas. Estaria eu diante do primeiro irmão Maçom em Minas Gerais! Nesta oportunidade falei com o Capitão João Mayrink sobre o futuro de nossa Poderosa Irmandade. Gonzaga Foi o vulto mais importante da Conjura de 1789. Ele foi o autor da Constituição, como acontecera com os líderes Norte-Americanos. Em Coimbra foi aluno do maior expoente do iluminismo da época, o Maçom, Domingos Vandelli (seu provável iniciador) o mesmo que iniciou O Dr. José Álvares Maciel. No âmago das discussões e da evolução política, atuava discreta e secretamente a Maçonaria; aliás, como sempre foi de seu estilo, a que, afinal, era obrigada, como forma de sobrevivência. Segundo depoimento do Padre Manoel Rodrigues da Costa, Gonzaga pertencia ao “círculo dos iniciados no segredo”, juntamente com Maciel.

2) Cláudio Manoel da Costa – Dois dias após seu depoimento na Devassa, cometeu o suicídio ou foi assassinado? Era formado em Direito pela Universidade de Coimbra – Portugal. Como Advogado sabia que, para o crime de lesa-majestade, a pena era excepcionalmente cruel: esmagamento na roda dos ossos do réu vivo.

3) Inácio José de Alvarenga Peixoto – Formado em Direito pela Universidade de Coimbra – Portugal. No batizado de seus filhos, reuniu todos os conspiradores,

4) José Álvares Maciel – Engenheiro Químico. Era Maçom, conforme as provas concretas existentes; e este fato permite provar que ela estava presente em Minas. Sabe-se porém, que a atuação da Maçonaria na Inconfidência foi discretíssima; teve um papel menor pois, a sociedade proibida dava os primeiros passos no Brasil. Era natural de Vila Rica –MG. Foi aluno excepcional, do mestre Domingos Vandelli, a quem se atribui a introdução da Maçonaria em Portugal. Maciel, como destacado aluno e colaborador de Domingos Vandelli, na Universidade de Coimbra, certamente por ele foi iniciado na Maçonaria. É preciso lembrar que a Maçonaria não tinha, à época, os fabulosos templos que hoje ostenta. Assim, as reuniões da sociedade tinham cunho ultra-secreto, sendo realizadas em qualquer local, no remanso da Paz, a portas fechadas, longe das vistas de profanos. Maciel ter-se-ia encontrado com José Joaquim da Maia em dezembro de 1787 na Universidade de Coimbra, logo após o encontro deste com Thomas Jefferson, embaixador dos EUA, na França. O fato de Maciel ser Maçom, foi revelado pelo seu confessor, que disse: Maciel reconvertera-se ao cristianismo, depois de passar pela fornalha da oficina da “Franco- Maçonaria”.

5) Francisco Antônio de Oliveira Lopes – ex Militar, tendo servido com TIRADENTES durante 6 anos. Era fazendeiro.

6) Domingos de Abreu Vieira – Era português. Morava em Vila Rica; em sua casa reuniram-se e hospedaram-se por várias vezes, todos os principais conspiradores, segundo sua confissão. Era compadre de TIRADENTES.

7) Joaquim Silvério dos Reis Montenegro Leiria Guites – Passou à História como sinônimo de traição; Não era Maçom.

8) José Aires Gomes – Era o maior fazendeiro de Minas. Foi convencido por TIRADENTES de que receberiam apoio de potências estrangeiras.

9) João Rodrigues de Macedo – Era português e primo de Domingos José Gomes, que o apresentou aos comerciantes Antônio Ribeiro de Avelar e Antônio Gonçalves Ledo (pai de Joaquim Gonçalves Ledo, maçom de tendências republicanas), foi generoso principalmente com os presos e condenados. A reunião principal e definitiva, ocorreu em sua residência. Vicente Vieira da Mota, em seu depoimento, deixou escapar que “ali eram realizadas reuniões maçônicas”.

10) José de Rezende Costa e José de Rezende Costa Filho.

11) Vicente Vieira da Mota – Era contador e governava a casa de João Rodrigues de Macedo.

12) Luiz Vaz de Toledo Piza.

13) Domingos Vidal de Barbosa Laje – Era médico, formado pela Faculdade de Montpelier, sendo iniciado na Maçonaria. Sua participação na Inconfidência começou na França, em 1787, quando encontrou os estudantes Brasileiros José Joaquim da Maia e Barbalho, e José Mariano Leal da Câmara Rangel de Gusmão. Joaquim da Maia foi o estudante que usando o pseudônimo “Vandeke”, encontrou-se com Tomás Jefferson. Domingos Vidal esteve presente a um dos encontros, de Maia com Jefferson.

14) José Joaquim da Maia e Barbalho – Era maçom(pai e filho), inclusive sua missão , junto a Tomás Jefferson era exatamente por ele ser maçom:

CLERO:

Os réus eclesiásticos por decisão “sui generis” da Comissão de Alçada, não tomariam conhecimento de suas sentenças; a decisão final era da Rainha. Como a Rainha enlouqueceu, coube ao Príncipe Regente Dom João a decisão, e este assim despachou: “Faça-se perpétuo silêncio”. Este processo está hoje no Museu da Inconfidência em Ouro Preto.

1) Padre Luiz Vieira da Silva – Maior líder da conspiração ao lado de Tomás Gonzaga.

2) Padre Carlos Correia de Toledo e Melo – De todos era o mais radical.

3) Padre José da Silva e Oliveira Rolim – Participou decisivamente de todas as reuniões dos inconfidentes, tendo o encargo de conseguir 200 cavaleiros.

4) Padre Manoel Rodrigues da Costa – Participação discreta sem missão específica.

5) Pare José Lopes de Oliveira – Seus depoimentos foram arrasadores para a conspiração, inclusive falou sobre apoio estrangeiro à revolução.

6) Padre Francisco Vidal de Barbosa Laje – Era irmão do inconfidente Domingos Vidal de Barbosa Laje, ele escapou por terem os devassantes passado ao largo de seu nome.

7) Padre José Maria Fajardo de Assis – Ouviu do próprio TIRADENTES, toda pregação revolucionária. Nunca foi preso e interrogado como réu.

A Participação da Maçonaria na Inconfidência

A participação da Maçonaria no movimento, pode ser considerada discreta, em função de sua clandestinidade. Mas, não se pode ignorar sua presença revolucionária, no século XVIII, como um canal político de ascensão de uma nova classe no comando político do Estado. Os princípios Maçônicos de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, que hoje parecem menores, no século XVIII, quando o comando do Estado era exercido apenas pela nobreza, tinham outro significado: Liberdade significava a abolição da Monarquia. Igualdade significava abolição de classe. Fraternidade era o objetivo moral e final de uma nova ordem.

A Introdução da Maçonaria no Brasil

A Maçonaria Azul (Inglesa, monarquista) chegou ao Brasil entre 1760 e 1770, trazida por tripulantes de “navios ingleses”.

A Maçonaria Vermelha (francesa, republicana) está confirmada, pela existência de uma Loja na década de 1780, no Rio de Janeiro: a loja fundada por Manuel Inácio de Silva Alvarenga e Basílio da Gama, disfarçada sob o nome de Sociedade Literária, provavelmente fundada em 1786. Na verdade essa academia era uma Loja Maçônica, pelos seguintes fatos: o Estatuto rezava no seu Art. 1º “A Boa fé e o segredo”. Domingos Vidal de Barbosa Laje freqüentava a Sociedade Literária de Silva Alvarenga.

Perseguição à Maçonaria

Como se não bastasse, em 1799 o Vice Rei Conde de Resende acusa Luiz Beltrão de Gouveia de ser “jacobino e pedreiro livre”. A Sociedade Literária foi fechada, acusada de “jacobinismo”(republicanismo e maçonaria). A Academia de Ciências de Lisboa foi fundada em 1778 e desde o início fora objeto de suspeita por parte do Intendente Geral de Polícia, Diogo Pina Manique; que perseguia ferozmente os membros da Academia, por suspeita de que “aquilo” era Maçonaria.

Reuniões de Maçons na Clandestinidade

Nesta pesquisa, o que nos interessa é a existência de indivíduos maçons, que reunindo-se em qualquer “remanso da Paz”em horário combinado, constituíam informalmente, uma “Loja”, não importando em que parte do mundo fosse. E, era assim que no século XVIII, ocorriam as reuniões dos maçons, em Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo, Vila Rica (Ouro Preto) ou em qualquer lugar. O que se sabe, é que a influência comercial da Inglaterra era muito grande, tanto em Portugal quanto na Colônia (Brasil), assim podemos afirmar que a Maçonaria Azul tinha grande influência no Brasil como em Portugal, e a Maçonaria Vermelha , francesa influenciava, principalmente, a classe intelectual de Portugal e do Brasil, por razões óbvias.

A Iniciação de TIRADENTES

Lauro Sodré, 16º Grão Mestre do Grande Oriente do Brasil (1904/1906), declara que naquela época a Maçonaria permitia que se fizesse iniciações fora dos templos, por um irmão com autoridade, o que era denominado de: “Iniciação por Comunicação”. E dessa forma é que em 1787, o irmão José Álvares Maciel fez a iniciação de TIRADENTES. Hoje a Constituição da Maçonaria não permite mais iniciação por Comunicação.

O Caráter Maçônico da Reunião de 27/12/1788

Tarquínio J. B. de Oliveira, pesquisando os Autos da Devassa, em Portugal, e arquivos diversos, declara que a reunião decisiva dos Inconfidentes na residência do Ten. Cel. Francisco de Paula Freire de Andrada, na noite de 27/12/1788 teve caráter de reunião maçônica, inclusive pelo fato de ter ocorrido no dia de São João, data consagrada pela Maçonaria. “Confidências de um Inconfidente” nos informa que nesta Sessão, por proposição do irmão José Álvares Maciel, TIRADENTES foi Exaltado, recebendo o 3º Grau. Diante da indagação de alguns irmãos, Tomás Gonzaga, Cláudio Manoel da Costa e o Aleijadinho (Mestre Lisboa) exclamaram: “ele já era um dos nossos” Apenas, ainda não houvera oportunidade para sua Exaltação. Esta sessão Maçônica de 27/12/1788, está ritualisticamente definida, como se expressa Gonzaga: ”Na água Limpa” – O Cajado bateu 3 vezes e a porta se abriu – Vicente entrou (Vicente Vieira da Mota), relanceando o olhar para a frente e pelos lados, passou à esquerda do “livro” e foi sentar-se ao lado do estrado.

Ainda podia sentir-se o cheiro do incenso. O Venerável pôs a Ordem do Dia em Votação, sendo aprovada. Nesta noite TIRADENTES foi o “Orador”, e anunciou, se houver traição... – fez com sua voz possante – O culpado terá a morte. Os Trabalhos foram realizados em “Conselho”, tendo TIRADENTES proposto a bandeira da nova nação – branca com um tríplice triangulo de cores vermelha, azul e branca. E Alvarenga sugeriu a clássica inscrição “Liberdade ainda que tardia”- tradução do original latino: “Libertas Quae Sera Tamen”.

O Templo Maçônico Oculto

Há evidência da existência de um Templo Maçônico oculto na residência de Antônio Vieira da Cruz, no Alto da Cruz em Ouro Preto. Os restos desse Templo foram desenterrados acidentalmente, motivo de reportagens em: Revista Veja de 30/05/1979, páginas 111-112; e Jornal da Tarde de Belo Horizonte, 11/09/1978. Onde está ainda em pé, um magnífico monumento de pedra, em forma de “altar maçônico”, tendo na sua base um Delta Luminoso, construído em 1792, no ano da morte de TIRADENTES e degredo dos demais Inconfidentes. Ainda há a suposição de que os restos mortais de TIRADENTES, até hoje desaparecidos, tenham sido retirados das estacas, por irmãos maçons e levados para o interior de uma mina de ouro, abandonada , existente no quintal da casa de Antônio Vieira da Cruz, a uma profundidade de 400 metros.

A Maçonaria Bahiana e os Patriotas Mineiros

TIRADENTES, como quase todos os Conjurados era “pedreiro-livre” – a evidência deste fato está muito bem caracterizada, pois, quando de sua remoção da Bahia, foi ele portador de instruções secretas da Maçonaria Bahiana para os patriotas de Minas.

A Maçonaria como Partido Político

O absolutismo reinante, era defendido pelas Ordens de nobreza, pela Igreja Católica, Academias oficiais, etc...E os comerciantes do setor de importação e exportação, maiores interessados na Independência do Brasil, agiam na clandestinidade – E o único “partido político” que norteava ideologicamente esses interesses de classe era a Maçonaria.

TIRADENTES, por sugestão de amigos de “partido” requereu autorização para viajar à Lisboa, para ver em que nível estavam os passos da Maçonaria, na Europa. A 1ª vez em março de 1787 e a segunda em fevereiro de 1788. Não chegou a realizar a viagem pois, o Maçom José Álvares Maciel que acabara de chegar da Europa supriu-lhe as informações de que necessitava.

Participação de Maçons na Conjura

Tarquínio de Oliveira apresenta provas concretas sobre a existência de dois maçons na Conjura: José Álvares Maciel e Padre Luiz Vieira da Silva. Mas no cotejo das provas se depreende da existência de diversos maçons, infelizmente não em caráter documental.

O historiador Tarquínio de Oliveira cita ainda que o Conjurado João Rodrigues de Macedo abrigava em sua casa num dos magníficos salões uma “Loja Maçônica”, onde reunia os cabeças pensantes de Vila Rica.

No que tange às provas documentais, nada se pode confirmar, além dos dois acima, mas dentre os Inconfidentes aptos a serem qualificados como maçons poderiam ser citados, além do Grão Mestre João Rodrigues de Macedo e do Venerável Mestre do período de 1788 em diante Luiz Vieira da Silva, seus contemporâneos Luiz Beltrão de Gouveia, Tomás Antônio Gonzaga, Cláudio Manoel da Costa, Diogo Pereira de Vasconcelos, José Pereira Ribeiro, José Álvares Maciel, Francisco de Paula Freire de Andrade, Inácio José de Alvarenga Peixoto, e o Alferes Joaquim José da Silva Xavier (TIRADENTES).

CONCLUSÃO:

1) TIRADENTES foi Maçom iniciado pelo Maçom Dr. José Álvares Maciel, Por Comunicação, como reconhece o Sereníssimo Grão Mestre Lauro Sodré.

2) TIRADENTES foi reconhecido pelas Potências Maçônicas Brasileiras como Maçom, de fato e de direito, ao homenageá-lo com Títulos Distintivos de suas Lojas Simbólicas.

3) Cerca de mil maçons desfilam em trajes maçônicos completos, com seus paramentos (aventais, colares e luvas) em Belo Horizonte, no dia 21/04/1978, às 09,00 horas, em homenagem ao Irmão TIRADENTES, fato que, pode e deve, também ser entendido como um reconhecimento Maçônico Post Mortem.

4) TIRADENTES foi Exaltado, recebendo o 3º Grau por proposição do irmão José Álvares Maciel em sessão realizada em 27/12/1788, num Templo improvisado na residência do Ten. Cel. Francisco de Paula Freire de Andrada.

5) Dessa forma e diante do desenvolvimento da presente Pesquisa, você, irmão, está em condições de fazer também, sua conclusão.

6) A conclusão deste Pesquisador é que TIRADENTES foi Maçom, convicto, fraterno e atuante, sendo portanto nosso IRMÃO.

BIBLIOGRAFIA:

01–A Inconfidência Mineira – Uma síntese factual. Autor: Márcio Jardim. Bibliex.

02–Rocha Negra – A legendária – Autor: Marivaldo Calvet Fagundes. A Trolha.

03–A Maçonaria e a Questão Religiosa – Autor: Marcelo Linhares. Centro Gráfico do Senado Federal.

04–A Maçonaria no Centenário -1822/1922(da Independência do Brasil). Autor: Antônio Giustti, 33º.

05-TIRADENTES – O poder oculto, o livrou da forca – Autor Assis Brasil.

06–A Devassa da Devassa – A Inconfidência Mineira. Autor Kenneth Maxuell. Paz e Terra.

07–Confidências de um Inconfidente. Autora: Marilusa Moreira Vasconcellos.

08–Revista Veja de 30/05/1979.

09–Vários “sites” das Potências Maçônicas Brasileiras.

10-Landmarks

 

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