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Qua, 12 de Janeiro de 2011 06:27

CONHECE-TE A TI MESMO - SOCRÁTES

Klebber S Nascimento

12.01.2011

Sócrates, filósofo que viveu de 470 a.C. a 399 a.C., tinha um método de dialogar com as pessoas denominado de maiêutica, palavra derivada do grego maieutike, que significa ''agir como parteira'', profissão que sua mãe, Fenareta, exercia. Ela ajudava as mulheres a darem à luz seus filhos e filhas; ele queria ajudar os cidadãos atenienses a trazerem à luz suas ideias, queria ajudar as pessoas a criarem seus próprios pensamentos a partir do conhecimento de si mesmas, seguindo a inscrição do oráculo de Delfos, que dizia ''conhece-te a ti mesmo''.

Talvez o que falte na Educação dos tempos modernos seja esse ''conhecer a si mesmo''. Os pais zelosos para com os filhos não querem que estes sofram agrura alguma, no sentido de amargura, aflição; querem seus filhos e a si mesmos felizes, por isso os protegem, muitas vezes demasiadamante. Que pai nunca disse a seu filho com o joelho machucado: ''Não foi nada. Isso já passa. Na sua idade, me machucava todos os dias. Não precisa chorar''? Ou, ainda, que mãe nunca disse à sua filha que chora por ter terminado o namoro ''Não chore, minha filha. Logo, logo, você esquece esse rapaz. Eu nunca gostei muito dele mesmo!''?

Dessa forma, a criança se desenvolve acreditando que ''o que ela sente não é nada'', que tudo aquilo por que ela passa não tem muita importância e que as escolhas dela são erradas. Ela aprende com isso a tão somente ''ruminar'' os sentimentos e emoções, guardando-os para si, afinal ''eles não são importantes''.

MAIÊUTICA

Sócrates, por meio da maiêutica, queria provar que ninguém sabe tudo. Quanto a isso, ele mesmo dizia ''Só sei que nada sei''. Ele queria evidenciar que os humanos desconhecem sua própria ignorância. Quer-se mostrar aos outros o quanto se conhece de tal assunto, o quão sapiente se é concernentemente às coisas externas a nós. Com isso, perde-se a oportunidade de encontrar aquilo que verdadeiramente importa: nós mesmos. Perde-se a oportunidade de ver desaparecer as condutas de meros animais irracionais e de ver renascer a condição de seres humanos.

Os pais devem mostrar a seus filhos e a todos com os quais convivem que não são os sabe-tudo, que são seres humanos comuns e, por isso, são passíveis de erros e de acertos. Devem demonstrar que têm compaixão, que entendem o que seus filhos sentem, e que isso é importante na vida destes. Devem estimular os filhos a externarem seus sentimentos e emoções para, assim, aprenderem a ''trabalhá-los'' adequadamente e devem aprender a externar seus próprios sentimentos até para servir como exemplo.

A DOR FAZ PARTE DA VIDA

Nas situações apresentadas, a conduta ideal seria o pai dizer a seu(sua) filho(a) que os ferimentos realmente doem, mas que ele(ela) é forte o suficiente para resistir a isso e que a ação apropriada seria limpar os ferimentos para que não haja contaminação, mesmo que momentaneamente a dor aumente. A dor faz parte da vida; ter sabedoria é conseguir enfrentá-la com altivez. Já a mãe poderia dizer à filha que romper um relacionamento realmente dói demais; chega a corroer a alma; que o choro é muito bem-vindo nesses momentos, pois ele elimina as angústias e as amarguras: ''Chore, minha filha, manifeste suas emoções, que isso a ajuda a se conhecer melhor''.

Muitos dizem que ''o choro lava a alma''. Para Sócrates, a alma é a própria consciência, é o que nos leva a produzir os pensamentos, é a realidade interior. A alma é o princípio da vida. Cuidar da alma, então, segundo os ensinamentos socráticos, é cuidar da mente, é conhecer o âmago do próprio ser, ou seja, é conhecer a si mesmo. Muitos dizem ''conheço isso como a palma de minha mão'', querendo dizer que conhecem aquilo perfeitamente. Ocorre, porém, que ninguém conhece a palma de sua mão perfeitamente. Como é a palma de sua mão? Quantas linhas há nela? Todas são unidas? Até onde vai a linha que contorna o polegar? Ninguém se conhece inteiramente. O ideal seria dizer ''conheço isso como conheço a minha mente, como conheço a mim mesmo''; o ideal mesmo seria conhecer-se de fato!

PERMANECEI SERENOS E FORTES

Para conhecer-se, é preciso preocupar-se com a mente, é preciso alimentar a mente com bons pensamentos, com boas ações; é preciso ter princípios. A mente é o núcleo pensante, é o que nos aproxima de tudo o que é divino. O desenvolvimento dela tem de ser o objetivo principal de nossa existência. E isso se consegue vivendo-se honestamente e praticando a justiça em todos os momentos.

Só assim se alcança uma vida tranquila e com paz de espírito e se atinge a disposição firme e constante para a prática do bem. Só assim consegue-se viver de acordo com o último desejo de Sócrates, dito minutos depois de ter tomado cicuta, pena a que foi submetido pelos juízes que o condenaram por, segundo seus algozes, ter corrompido os jovens atenienses com seus ensinamentos e ter desrespeitado, sempre segundo seus carrascos, os deuses de Atenas: ''Amigos, tudo deve terminar com palavras de bom augúrio: permanecei, pois, serenos e fortes''.

 

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